Será que vale a pena financiar carro usado?

Financiar usado é visto como atrativo, devido à menor entrada; mas, frente à diferença nos juros, vale mais a pena poupar por alguns meses e financiar um novo

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SÃO PAULO – Sem dinheiro para comprar à vista o seu carro zero km, ou até mesmo financiar, o consumidor acaba optando por adquirir um usado. Apesar da diferença de preço entre ambos, a maioria das pessoas, ainda assim, opta pelo financiamento, pois acredita que este seja um bom negócio.

Afinal, a entrada é menor, certo? Errado! Como veremos com maior detalhe a seguir, mesmo com a diferença de quase 20% no preço de mercado de um carro usado de dois anos e seu equivalente novo, o financiamento de um usado não é a melhor opção. A principal razão para isso reside no diferencial entre os juros de se financiar um carro novo e um usado.

Diferença no preço e nos juros

Fazer as contas nem sempre é fácil, mas é fundamental se você não quiser acabar gastando mais do que precisa na compra do seu carro. Se tomarmos como base o Banco Central ou a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Administração, Finanças e Contabilidade), a conclusão a que se chega é que a taxa média mensal de financiamento de veículos é de cerca 3,5% ao mês.

Este valor, contudo, reflete a média de financiamentos de autos usados e novos. De maneira geral, pode-se estimar que o financiamento de veículos novos seja possível com juros entre 1,5% e 2% ao mês; já nos carros usados o custo é maior, e pode chegar a 4,5% ao mês.

Desta forma, vamos imaginar o caso do financiamento de um carro popular, ano 2003, cujo preço médio é de R$ 17 mil. Já o mesmo modelo, zero km, custaria R$ 22,6 mil, o que representa uma diferença de 33%.

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Fazendo as contas

Vamos simular um financiamento em 36 meses e uma entrada de 30%. Estas são, em média, segundo o Sindiauto, as condições de financiamento adotadas por quem compra um carro usado. Vamos assumir que o carro novo seja financiado a uma taxa média mensal de 2% e o usado a uma taxa de 4%.

Neste caso, a entrada do carro novo será de R$ 6,78 mil, sendo que os R$ 15,8 mil restantes serão financiados em 36 parcelas. Como os juros são de 2% ao mês, as prestações são de R$ 620, o que, juntamente com a entrada, equivale a um desembolso total de R$ 29.123, ou cerca de 29% a mais do que o automóvel custaria à vista.

Em contrapartida, no carro usado a entrada seria de R$ 5,1 mil, com os R$ 11,9 mil restantes também sendo financiados em 36 parcelas. Considerando que os juros mensais, neste caso, são bem mais altos, de 4% ao mês, as prestações mensais ficariam em R$ 629. Este valor, somado à entrada, equivale a um gasto total de R$ 27.744. Como o preço à vista é de R$ 17 mil, os gastos com juros implicam em um aumento de cerca de 63%.

Na ponta do lápis

  0km Usado
Valor do veículo R$ 22.600 R$ 17.000
Entrada (30%) R$ 6.780 R$ 5.100
Saldo R$ 15.800 R$ 11.900
Juros 2% 4%
Prestações 36 x R$ 620 36 x R$ 629
Gasto total R$ 29.123 R$ 27.744

Mensalidade mais cara, e pouca diferença na entrada

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Certamente o maior atrativo do financiamento do carro usado reside no fato de que a entrada necessária é bem menor. No exemplo, a diferença é de R$ 1.680,00. Porém, isso não justifica a decisão e outra forma de ver isso é avaliar a participação dos juros no custo final do carro.

No carro novo foram gastas 36 prestações de R$ 620, o que responde por quase 77% do custo total do carro (R$ 29.123,00). Já no carro usado as 36 prestações de R$ 629 respondem por 83% do custo total.

Ao invés disso, uma opção seria poupar por dois meses a quantia que gastaria na prestação do carro usado, ou seja, os R$ 629, para que, mesmo sem aplicar o dinheiro, consiga juntar R$ 1.680, o suficiente para arcar com a diferença no valor da entrada. Pense isso na próxima vez que considerar a idéia de optar por um financiamento.