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SÃO PAULO – Antes do lançamento dos novos seguros de vida resgatáveis, também conhecidos como VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre), lançados neste último mês de março, as vendas de seguros de vida não registravam um crescimento significativo há algum tempo.
Desde o final de década de 70 o descontrole inflacionário fez com que o seguro de vida individual perdesse espaço e foi substituído pelos seguros coletivos, contratados pelas empresas para seus trabalhadores, mas mesmo assim nunca foi um hit de vendas, com as vendas permanecendo estáveis desde 1999. Entretanto, entre janeiro e maio de 2002 o crescimento dos seguros de vida foi de 46% com um total de R$ 2,177 bilhões vendidos, o que pode ser atribuído à introdução dos VGBLs.
VGBLs preencheram lacuna de mercado
Em parte esta tendência se justifica pelo fato de que na dúvida muitas pessoas optavam pelos planos de previdência ao invés dos seguros de vida, uma vez que o tratamento fiscal garantido neste tipo de produto era mais atrativo. Nos planos de previdência, os valores aplicados podem ser deduzidos do imposto de renda a pagar, o que atraiu muitos investidores.
O grande problema é que no caso de pessoas jovens, mas com dependentes, o benefício fiscal provavelmente não é tão importante, uma vez que em geral ganham menos, e os seguros de vida provavelmente seriam a melhor opção para garantir o futuro dos familiares no caso de uma eventualidade.
O lançamento dos VGBLs veio exatamente preencher esta lacuna, pois combina aspectos dos planos de previdência, que buscam garantir o acúmulo de um patrimônio no longo prazo, com outros dos seguros de vida, ao garantir o pagamento de uma indenização. Junte-se a isto com o fato de que os VGBLs também oferecem um tratamento fiscal atrativo, ainda que distinto daquele oferecido pelos PGBLs, e tem se a receita certa para um sucesso garantido de vendas.
Crescimento acima da expectativa
Apesar dos VGBLs combinarem um plano de acumulação de renda com um seguro de sobrevivência, o seguro é opcional. Ainda assim, segundo informações do diretor da Itaú Previdência, Osvaldo Nascimento, cerca de 20% dos VGBLs vendidos pela instituição incluíam coberturas para pecúlio ou invalidez, isto é, seguro de vida.
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Desta forma, o aumento das vendas de VGBLs acaba, em última instância impulsionando o segmento de seguros de vida. No Bradesco, por exemplo, líder na venda de planos de previdência, o faturamento com VGBLs já alcançou os R$ 500 milhões. Tendência que também se verificou no Itaú, onde as vendas de VGBLs contribuíram para um aumento de 50% nas receitas com previdência e seguros no 1º semestre de 2002 frente ao mesmo período de 2001.
A diretora de produtos da Unibanco AIG, Hosannah Santos Filho, por exemplo, lembra que a instituição trabalhava com uma estimativa de que as vendas de VGBLs alcançassem quatro mil apólices por mês, o que acabou sendo superado em 50% já que as vendas estão em seis mil apólices no momento.
Diante do forte crescimento dos seguros de vida, desde a introdução dos VGBLs em março deste ano, a própria Susep (Superintendência de Seguros Privados) já revisou para cima suas projeções de crescimento para o setor de seguros como um todo em 2002. Inicialmente a expectativa era que o setor crescesse algo como 14%, mas este percentual foi aumentado para 15,8% devido ao bom desempenho dos seguros de vida. Para se ter uma idéia, os seguros de vida devem fechar o ano com receitas de R$ 5,792 bilhões, atrás apenas dos seguros de automóveis, que lideram o mercado há anos e devem atingir receitas de R$ 8,487 bilhões.