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Seguro só com CPF? Dados e IA reduzem perguntas e personalizam preços

Seguradoras usam dados comportamentais, financeiros e inteligência artificial para simplificar cotações e tornar a análise de risco mais precisa

Jamille Niero

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Contratar um seguro pode deixar de ser sinônimo de preencher longos formulários. Com o avanço do uso de dados comportamentais, financeiros e de inteligência artificial, seguradoras já começam a reduzir a quantidade de informações exigidas dos clientes e a personalizar preços com mais precisão.

Durante painel realizado nesta quinta-feira (28) no Insurtech Brasil 2026, especialistas defenderam que a combinação de diferentes bases de dados vai transformar a experiência de contratação nos próximos anos.

Para João Merlin, diretor de automóvel da Zurich Seguros, o valor dos dados está justamente na aplicação prática. “Dado por si só não tem valor nenhum. É como um barril de petróleo: você precisa refinar para gerar valor”, pontuou.

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Segundo ele, a seguradora desenvolveu um seguro automotivo capaz de simplificar significativamente a jornada de cotação. “Uma cotação de seguro de automóvel passa por um questionário de 20 a 25 perguntas. Mas conseguimos fazer com que, em alguns casos, basta informar o CPF para que, a partir de consultas a dados internos e externos, seja possível apresentar uma precificação extremamente assertiva”, disse.

A mudança é impulsionada pela crescente disponibilidade de informações sobre hábitos e comportamentos dos consumidores. De acordo com Ricardo Thomaziello, diretor de analytics de crédito e plataformas da Serasa Experian, o mercado passou a contar com uma quantidade inédita de dados capazes de tornar a análise de risco mais precisa.

“O dado comportamental mudou radicalmente de qualidade e profundidade para personalizar”, afirmou. Segundo Thomaziello, o setor financeiro já utiliza amplamente esse tipo de informação e o mercado segurador ainda tem espaço para avançar.

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Na prática, isso significa que informações tradicionalmente usadas para definir preços, como idade, localização ou perfil do veículo, tendem a ser complementadas por sinais comportamentais mais sofisticados.

Para Thomaziello, essa evolução permite diferenciar melhor os riscos e criar ofertas mais aderentes ao perfil de cada consumidor. “Quando a gente ordena uma carteira entre os 10% de maior risco e os 10% de menor risco, estamos falando de cinco vezes mais inadimplência”, exemplificou.

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O movimento também já influencia outras etapas da operação das seguradoras. Luís Henrique Fontes, CTO da MAG Seguros, contou que as principais iniciativas recentes da companhia foram construídas a partir de estratégias baseadas em dados.

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Segundo ele, a tecnologia vem sendo aplicada desde a subscrição até o relacionamento com clientes. “A maior parte das inovações foi baseada nessa estratégia de dados, como na parte de relacionamento, entendendo o melhor atendimento e comunicação”, comentou.

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Para os especialistas, o resultado dessa transformação deve ser uma experiência mais simples para o consumidor e produtos cada vez mais personalizados.

Embora a inteligência artificial seja um dos motores desse processo, eles ressaltam que a qualidade dos dados continuará sendo o principal diferencial competitivo das empresas que conseguirem entender melhor seus clientes e precificar riscos com mais precisão.

Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!

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Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa