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SÃO PAULO – Quando se fala no setor segurador, a primeira impressão nem sempre é positiva. Isso, em grande parte, se deve à percepção que muitos de nós temos de que as seguradoras só têm um objetivo: ganhar dinheiro.
Ainda que, em muitos casos, isto seja verdade, não podemos esquecer o papel do setor na proteção de nosso patrimônio (seguro de autos, casa, etc.), na concessão de benefícios de saúde (seguros de saúde), geração de renda (previdência privada), e, por que não, na garantia de nossa família em caso de uma fatalidade (seguro de vida).
Dados do Balanço Social de Seguros e Previdência divulgados neste ano, mas referentes ao ano de 2003, dão conta de que o setor teria retornado à sociedade, através do pagamento de indenizações e outros benefícios, cerca de R$ 34,8 bilhões no decorrer de 2003. Elaborado pela consultoria G. Tagliavini, o estudo envolveu 188 seguradoras, 70 empresas de previdência privada e 15 de capitalização.
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Mais da metade foi paga em indenizações
Deste total, aproximadamente 52%, ou R$ 18,2 bilhões, foram destinados à preservação de riqueza da população. Esta é a quantia desembolsada pelas seguradoras no pagamento de sinistros, ou seja, de indenizações por apólices de seguros contratadas.
Outros R$ 11,1 bilhões, cerca de 32%, foram destinados ao pagamento de benefícios e remuneração referente aos planos de previdência complementar. Finalmente, os 16% restantes, ou R$ 5,5 bilhões, foram destinados ao pagamento de remuneração dos planos de capitalização.
Para dar uma idéia mais clara da magnitude dos recursos que estamos falando, basta lembrar que os R$ 34,8 bilhões que o mercado segurador retornou à população em 2003, através do pagamento de indenizações, benefícios e remuneração de poupança, equivale a 70% da verba executada pelo Governo Federal na área social durante o mesmo período. Mais ainda: equivalem a 80% dos gastos com educação e saúde no mesmo período.
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Suficiente para construir 43,5 milhões de creches
A análise foi elaborada pela consultora de economia e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Virene M. Roxo, que traçou um paralelo destes montantes com os recursos liberados pelo Governo Federal na área social. Segundo a economista, a quantia seria suficiente para custear a construção de 1,74 milhão de residências, o equivalente a 30% do atual déficit habitacional do País.
A quantia desembolsada pelo setor segurador também seria suficiente para arcar com o pagamento de 18 milhões de cestas básicas, pagar o programa Bolsa Família por um ano para 40 milhões de famílias ou erguer 43,5 milhões de creches.
Na saúde, 21% dos gastos do Governo
Se tomarmos apenas os valores destinados à preservação de saúde, estimado em R$ 5,6 bilhões em 2003, o que se verifica é que esta quantia equivale a 21% dos gastos totais da União na área de saúde.
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O desembolso do setor segurador foi usado no custeio de 86,5 milhões de procedimentos médicos, dos quais 47 milhões de exames. As internações, ainda que respondam pela menor parcela dos procedimentos (apenas 2 milhões ou 2,3%), responderam por quase metade dos desembolsos.
Com receitas na carteira de saúde de R$ 6,6 bilhões no acumulado de 2003, os dados da Fenaseg sugerem que as seguradoras retornaram cerca de 85% deste total à sociedade através da oferta de atendimento médico.
Ninguém nega que muito deva ser feito no sentido de melhorar a qualidade de atendimento dos segurados, e que ainda há espaço para o crescimento das vendas destes produtos no País. Contudo, o que os dados acima demonstram é que em um país onde o setor público tem dificuldade de investir, pois não consegue equilibrar suas contas, e acaba não gastando como deveria, o papel do setor privado, sobretudo, do setor segurador pode fazer a diferença.