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O que o skate ensinou a Mineirinho sobre dinheiro: disciplina, equilíbrio e evolução

Hexacampeão mundial de vertical, Sandro Dias conta ao InfoMoney como construiu o patrimônio, por que buscou uma assessoria financeira e quais lições do skate aplica na hora de investir.

Bruno Nadai

Sandro Dias, o Mineirinho - Expert XP 2026 (imagem: Bruno Nadai)
Sandro Dias, o Mineirinho - Expert XP 2026 (imagem: Bruno Nadai)

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No mundo das finanças, o sucesso não é garantido, mesmo com grandes ganhos. A mesma lógica vale para atletas de alto nível: ganhar dinheiro no esporte profissional nem sempre garante uma aterrissagem tranquila depois das competições.

Pelo contrário, são inúmeros os casos de ex-atletas profissionais — alguns muito bem remunerados ao longo de suas carreiras — que enfrentam dificuldades financeiras após a aposentadoria.

Apenas como exemplo, uma reportagem da Sports Illustrated, publicada em 2009, estimou que cerca de 60% dos ex-jogadores da NBA — a liga norte-americana de basquete — enfrentavam dificuldades financeiras até cinco anos após a aposentadoria.

O mesmo levantamento afirmou que 78% dos ex-atletas da NFL — a liga de futebol americano dos EUA – haviam declarado falência ou enfrentavam forte estresse financeiro em até dois anos depois de encerrar a carreira.

Ao longo de uma trajetória marcada por títulos, recordes e décadas sobre a prancha de madeira, Sandro Dias, o Mineirinho — um dos nomes mais conhecidos do skate brasileiro —, aprendeu que precisaria de disciplina e equilíbrio para garantir uma aposentadoria tranquila.

O atleta concedeu uma entrevista ao InfoMoney na Expert XP 2026, na qual contou como distribui seus recursos entre diferentes investimentos.

Segundo ele, assim como uma manobra exige equilíbrio do início ao fim, preservar o patrimônio depende de planejamento, conhecimento e disciplina para que a renda construída nos anos de maior desempenho não desapareça quando a carreira desacelera.

Se, antes de uma grande manobra, o skatista precisa ganhar velocidade, Mineirinho diz que levou a mesma lógica para as finanças: aprendeu cedo — com um hábito herdado do pai — que patrimônio se constrói guardando dinheiro antes de gastá-lo.

Neste sentido, o skatista revelou que decidiu contar com uma assessoria para aperfeiçoar suas decisões financeiras. E defendeu que os atletas conciliem a formação de patrimônio com o aproveitamento do dinheiro conquistado durante a carreira.

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Recorde mundial em Porto Alegre

Em setembro do ano passado, Mineirinho entrou para o Guinness World Records ao descer uma megarrampa instalada na fachada de um prédio público em Porto Alegre.

Hexacampeão mundial de vertical, ele estabeleceu o recorde de maior drop da modalidade ao percorrer uma descida de 70 metros de altura, atingindo 94 km/h no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF).

Antes da marca oficial, Mineirinho já havia alcançado 64 metros durante os treinos, superando o recorde anterior, mas a tentativa não foi homologada.

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As descidas de 65 metros e, depois, de 70 metros foram realizadas sob supervisão de representantes do Guinness World Records, que confirmaram o novo recorde mundial.

Exemplo dentro de casa

No skate, cada sessão de treinamento acrescenta um detalhe até a manobra sair perfeita. Nas finanças, Mineirinho seguiu lógica parecida: construiu o patrimônio movimento após movimento, sempre com equilíbrio, mas neste caso sem movimentos radicais.

O skatista possui aplicações em renda fixa e renda variável, além de investimentos imobiliários e negócios, distribuindo o peso da carteira entre diferentes ativos e evitando depender de um único caminho.

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Assim como o capacete não impede a queda, mas reduz seus danos, Mineirinho vê a reserva financeira como uma proteção para os momentos em que a carreira desacelera.

A origem desse comportamento não está no mercado financeiro, mas no exemplo vindo do pai, cuja cautela com o dinheiro se tornou uma referência.

“Na verdade, a parte de guardar grana vem muito do meu pai. Ele sempre foi um cara muito seguro com dinheiro. Eu tenho o exemplo dele”, revela.

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A postura cautelosa rendeu a Mineirinho um apelido entre os amigos. Embora a expressão seja usada em tom de brincadeira, ele associa o controle dos gastos à preservação dos recursos conquistados no skate.

“Na minha rede de amigos eu sou chamado de ‘pão duro’”, afirma.

Ao mesmo tempo, o skatista reconhece que poupar não basta quando falta conhecimento para escolher os produtos adequados. Por isso, ele procurou apoio profissional e também conta com o auxílio da irmã.

“Na questão de como investir, onde investir, eu tenho uma assessora financeira, e minha irmã também estuda bastante a parte de finanças. Ela me ajuda bastante”, explica.

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Investimentos sem direção

Antes da orientação especializada, Mineirinho tomava decisões com base nas recomendações oferecidas por gerentes do banco.

Para Mineirinho, investir sem entender o mercado era como entrar em uma pista desconhecida sem antes observar o percurso: havia movimento, mas faltava direção. Era como fazer um drop sem conhecer o piso.

Em sua avaliação, a estratégia permitia poupar, porém não entregava todo o retorno possível. O problema, segundo ele, não estava na intenção de investir, mas na falta de conhecimento para avaliar as alternativas apresentadas.

Além disso, a carreira esportiva reduzia o tempo disponível para estudar o mercado financeiro. Assim, mesmo mantendo o hábito de poupar, o skatista não possuía acompanhamento frequente para ajustar a carteira.

“Estava guardando dinheiro de alguma forma. Mas não tinha tempo de estudar isso, porque estava dedicado na minha carreira”, relata.

A percepção mudou depois da migração para a XP e do acesso a uma assessoria especializada. Ao comparar os resultados, Mineirinho concluiu que suas aplicações anteriores até rendiam, mas abaixo do potencial.

“Rendiam, mas não o potencial que tinham para render, totalmente por falta de conhecimento”, admite.

Diante disso, ele atribui a diferença aos incentivos de cada atendimento. Depois da migração para a XP, Mineirinho diz que deixou de seguir uma linha desenhada por terceiros para escolher um trajeto mais alinhado aos próprios objetivos.

Na opinião do skatista, o banco convencional priorizava metas comerciais, enquanto o acompanhamento especializado considera mais seus objetivos pessoais.

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Disciplina sem renúncia

Para quem vive do esporte, preparar-se para o futuro ganha importância porque a capacidade de competir em alto nível não é permanente. Por isso, Mineirinho considera a organização financeira essencial não apenas para skatistas, mas para qualquer pessoa.

“Acho que, para todo mundo, a disciplina financeira é essencial na vida. A gente nunca sabe o dia de amanhã”, ensina o skatista.

Na prática, essa disciplina significa adequar o padrão de vida aos recursos disponíveis. Afinal, mesmo rendimentos elevados podem desaparecer quando as despesas avançam no mesmo ritmo.

Ou sejam, assim como a velocidade diminui depois do salto, o dinheiro também perde impulso quando só entra e sai da conta.

“O dinheiro acaba”, alerta o skatista. “Se você ganhar muito dinheiro e gastar muito dinheiro, vai ficar sem. É óbvio. Então você tem que ter essa disciplina para que lá no futuro você esteja garantido.”

Contudo, a defesa da poupança não representa abrir mão de usufruir o patrimônio. Depois de reservar recursos para o futuro e separar uma parcela destinada aos filhos ou a outras questões importantes, o skatista recomenda aproveitar o restante.

“Obviamente, você tem que deixar um pouco para os seus filhos e para as pessoas que você quer deixar um pouco. Mas o resto você gasta”, declara.

Em busca da aterrissagem perfeita

Todo skatista sabe que nenhuma descida dura para sempre. Para Mineirinho, a carreira também tem uma linha de chegada, e é justamente por isso que o patrimônio precisa continuar “andando” quando o atleta desacelera.

Assim, a lógica adotada pelo skatista procura equilibrar-se entre duas trilhas: o risco de chegar ao fim da carreira sem segurança financeira ou acumular recursos suficientes sem aproveitar as oportunidades proporcionadas por eles ao longo do caminho.

No skate, é preciso ousadia para completar uma manobra, mas também técnica para aterrissar em pé. Mineirinho diz seguir a mesma lógica nas finanças: guardar para o futuro sem deixar de aproveitar o caminho.

“Aproveite a vida. Aproveite a vida com disciplina financeira”, conclui.