Saiba quais são os principais golpes na Black Friday. E aprenda a evitá-los

Riscos aumentaram muito e hoje 65% dos links verificados no Detector de Sites do Reclame Aqui indicam potencial de fraude

Anna França

(Foto: Unsplash)
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A Black Friday evoluiu tanto nos últimos anos que se tornou uma das datas mais importantes para o varejo nacional. Mas, ao mesmo tempo, ela também ficou mais arriscada. O avanço das tecnologias, que por um lado ajudam os consumidores a escolher melhor, permitiu a multiplicação e a sofisticação de golpes por toda a rede. Tanto que hoje 65% dos links verificados no Detector de Sites do Reclame Aqui indicam potencial de golpe, um salto de 36% em relação ao ano passado.

O volume é inédito e mostra que os criminosos também estão se aproveitando das novas tecnologias, incluindo ferramentas de Inteligência Artificial (IA), para clonar páginas, simular carrinhos de compras e replicar checkouts que parecem absolutamente reais, segundo Edu Neves, CEO do Reclame Aqui.

O resultado é um consumidor cada vez mais desconfiado, com 64% das pessoas indicando que têm medo de cair em golpes, e grande parte alegando que já conhece alguém que foi vítima, conforme pesquisa do site. “E não se trata apenas de um problema para só para o consumidor. É uma corrosão da confiança generalizada também do varejo, que impacta marcas, plataformas e até bancos”, explica o executivo.

Com consumidores mais conectados, e mais endividados também, a Black Friday 2025 deve ser de muita cautela. “Embora o brasileiro esteja mais atento às fraudes, os golpes evoluíram com a mesma velocidade das compras online – e, em muitos casos, passaram à frente. Por isso, é preciso estar atento porque tudo está mais rápido”, disse.

Golpes rápidos e difíceis de rastrear

Nessa nova onda, as fraudes mudaram de forma por isso é preciso estar atento porque as  “promoções” se espalham, especialmente pelas redes sociais, com produtos de moda e beleza, surgindo e desaparecendo em poucas horas. Elas muitas vezes usam anúncios baratos e gatilhos emocionais, como “a promoção só vai até a duração do estoque”, criando o gatilho da urgência e atraindo para a compras por impulso. Depois disso, os sites desaparecem antes que o consumidor perceba que foi enganado, como explica Neves.

Esse temor de ser ludibriado também cria um efeito colateral perigoso, porque o consumidor evita de comprar em novas lojas e se concentra naquelas mais famosas, reduzindo a diversidade e sufocando pequenos varejistas, justamente os mais impactados pela falta de confiança digital. E ainda assim há riscos, segundo Neves, porque mesmo comprando pelo app oficial, o cliente pode ser capturado por um golpista, que lhe envia um link para pagamento por fora do sistema.

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Para tentar reverter esse quadro, o Reclame Aqui criou um selo de verificação para empresas e um site ondo o consumidor pode checar a veracidade de um endereço de loja. O Detector de Site é gratuito e já soma mais de 12 milhões de usuários.

Marketing agressivo

O Procon-SP  diz que a vulnerabilidade não se limita ao crime digital, mas também ao marketing agressivo dos últimos tempos. Uma pesquisa inédita feita pelo órgão revelou que os consumidores continuam fortemente influenciados por gatilhos de urgência, mesmo quando desconfiam das ofertas.

O levantamento feito pela Fundação Procon-SP ouviu 329 consumidores e revela como argumentos usados em campanhas de marketing influenciam – e às vezes iludem – o público no momento da compra.

Veja o resultado:

Balanço das reclamações

Em 2024, o Reclame Aqui registrou durante a Black Friday 14,1 mil reclamações, o maior número da série histórica. Ou seja, mesmo com compras legítimas houve problemas, o que, aliado aos golpes, prejudica a imagem do varejo na data.

Entre os principais motivos estavam:

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Endividamento aumenta a vulnerabilidade

Com crédito caro e orçamento apertado, o consumidor também está mais seletivo. Compras de maior valor só devem acontecer diante de uma condição realmente vantajosa. O problema é que essa busca por oportunidade abre espaço para armadilhas comuns durante a Black Friday: preço baixo + urgência + pagamento via Pix. Essa é uma  combinação perfeita para fraude, segundo os órgãos de defesa do consumidor.

“Evite pagamentos instantâneos, porque o Pix não tem marcha à ré”, diz Neves, acrescentando que o Banco Central tem avançado em medidas de proteção desse tipo de pagamento, mas a reversão ainda é limitada. Para compras digitais, ele recomenda priorizar cartão virtual de uso único, que pode ser cancelado sem risco de uso posterior.

Fique atento aos 4 riscos na Black Friday 2025

1. Golpes digitais com sites falsos
Clonagens profissionais que imitam checkout e confirmação de compra.

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2. Descontos “irreais” usados como isca
Promoções fora do padrão, especialmente quando exigem pagamento imediato ou via Pix.

3. Pressão emocional e gatilhos de urgência
Campanhas que aceleram decisões e reduzem senso crítico.

4. Links externos e pagamentos fora da plataforma
Fraudes que começam em redes sociais e migram para ambientes não monitorados.

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Como se proteger:

  1. Verifique se a empresa existe
    Consulte CNPJ, tempo de cadastro, reputação e avaliações (Reclame Aqui, Google, redes sociais).
  2. Cheque o preço real
    Compare com valores de mercado, a Black Friday não terá “descontos milagrosos”.
  3. Prefira cartão virtual de compra única
    Reduz o risco de vazamento e uso indevido.
  4. Evite compras impulsivas
    Golpes dependem de pressa, se a oferta expira em minutos, desconfie.

Confiança

O Procon-SP ainda reforça: pesquise com antecedência, confira preço total (incluindo frete), leia condições de pagamento e exija clareza nas políticas de troca e cancelamento. E, diante de qualquer irregularidade, registre denúncia nos canais oficiais. E sempre se pergunte: “vale a pena comprar? “posso confiar?”

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro