Sabesp assina acordo de US$ 440 mi no Japão para combater a perda de água

Para o financiamento, a Sabesp vai pagar, em contrapartida, US$ 240 milhões; objetivo é que o percentual de perdas chegue a 15%

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SÃO PAULO – A diretora-presidente da Sabesp, Dilma Pena, assinou na última quarta-feira (22), em Tóquio, no Japão, um contrato no valor de US$ 440 milhões com a agência de fomento do governo japonês, a Jica. Para o financiamento a Sabesp vai pagar, em contrapartida, US$ 240 milhões.

Os recursos do financiamento serão usados para ampliar e acelerar os investimentos do Programa Corporativo de Redução de Perdas de Água da Sabesp, que tem como meta reduzir as perdas de água. O objetivo é que o percentual de perda passe de 25,6% para até 15% no fim desta década. Segundo a Sabesp, a média brasileira é de 37%, e a do Japão, referência mundial no assunto, é de 3%.

Redução das perdas
“A redução das perdas é prioridade para a Sabesp, a fim de que seja garantida a segurança do abastecimento na Região Metropolitana de São Paulo”, afirmou Dilma. A presidente ainda destacou que essa região conta com baixa disponibilidade hídrica, ou seja, a relação entre a quantidade de água disponível para abastecimento e o número de habitantes.

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Além disso, a Região Metropolitana de São Paulo concentra cerca de 20 milhões de habitantes, ou seja, 10% da população brasileira, em uma área de 8.051 quilômetros quadrados. A disponibilidade hídrica é de apenas 146 mil litros por habitante ao ano, volume muito inferior aos 2,5 milhões de litros anuais recomendados pela ONU (Organização das Nações Unidas). O valor é inferior ao de regiões do Nordeste e do deserto do Saara.

A Sabesp ainda informou que a rede de abastecimento de água na região em questão tem 32,7 mil km de extensão, aproximadamente uma viagem de ida e volta de São Paulo ao Japão. Para verificar a existência de vazamentos, toda a rede tem de ser percorrida e avaliada.

Em 2011 a Sabesp vistoriou 47,4 mil km de redes. Em média, cada centímetro da rede é pesquisado a cada oito meses, em busca de vazamentos não visíveis, que não afloram na superfície, mas que podem ser detectados com uso de tecnologia adequada. Além de pesquisas e reparos, são trocados preventivamente por ano 195 mil ramais – as redes menores que levam a água da rua até os imóveis. As ações da Sabesp permitiram reduzir as perdas de 32%, em 2006, para os atuais 25,6%.

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Índice de perdas
O índice de perdas é calculado pelo volume de água produzido para abastecimento público menos o volume faturado (consumido e pago). As perdas são classificadas em físicas, que são aquelas decorrentes de vazamentos na rede de abastecimento, e de faturamento, aquelas ocasionadas por fraudes, os chamados “gatos”, e por submedição – falhas em hidrômetros.

A composição do total das perdas da Sabesp é de 16,64% para as perdas físicas e de 8,96% para as perdas de faturamento.

As principais ações planejadas pela Sabesp até 2016 com esse fortalecimento do Programa de Perdas são:

“Esse conjunto de ações resultará na redução de 1% das perdas por ano, o que equivale à quantidade de água necessária para atender a 300 mil pessoas”, declarou a diretora-presidente. Por fim, a Sabesp destacou que os investimentos até 2016 serão de R$ 1,9 bilhão. Do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) virão R$ 715 milhões, da Jica, virão R$ 770 milhões, e a Sabesp vai arcar com R$ 430 milhões.