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SÃO PAULO – Os consumidores brasileiros devem ser “muito pouco” afetados com a majoração da alíquota de Imposto sobre Importação de produtos de origem norte-americana.
O aumento faz parte do direito de retaliação que a OMC (Organização Mundial do Comércio) concedeu aos brasileiros por conta de subsídios ilegais dados pelos Estados Unidos aos produtores de algodão. A Camex (Câmara do Comércio Exterior) divulgou, na segunda-feira (8), a lista que contém os produtos que serão mais tributados.
“Eu tenho certeza que o consumidor será afetado muito pouco. A lista que foi colocada tem insumos básicos e de consumo final. Não vamos sofrer porque temos a indústria nacional e outros países que fornecem esses produtos listados”, afirmou o professor de Comércio Internacional da FGV Management, Pedro Guilherme Kraus.
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A mesma opinião é dividida pelo presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), João Eloi Olenike, que disse que é preciso analisar a preferência do consumidor para saber se a medida terá impacto sobre os brasileiros. “As pessoas vão preferir o nacional ou o importado, que ficará mais caro? Eu acredito que não terá grande impacto porque o consumidor vai deixar de comprar o importado”.
Medida
No ano passado, a OMC autorizou uma retaliação brasileira aos Estados Unidos no valor de US$ 829 milhões. A lista aprovada equivale apenas a US$ 591 milhões, sendo que os US$ 238 milhões restantes devem ser aplicados como retaliação cruzada, que abrange os setores de serviços e de propriedade intelectual.
“É a terceira vez que a OMC está dando o direito da represália cruzada. A primeira foi com o Equador, contra a União Europeia, e a segunda em uma ilha do Caribe, contra os Estados Unidos. Mas nenhum deles fez a retaliação por meio da balança de serviços, porque não se sabe como fazer isso ainda da maneira mais correta”, explicou Kraus.
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De acordo com ele, a lista de produtos poderia ser feita com base naqueles que mais pesassem no bolso dos norte-americanos, mas isso também prejudicaria os consumidores brasileiros. “Sabiamente, o governo fez um balanço e entraram produtos que não temos dependência grande, senão encarece a cadeia produtiva dentro do Brasil e o consumidor acabaria pagando pelo que deveria recair sobre os Estados Unidos”.
Ainda segundo o professor da FGV Management, a divulgação da lista nada mais é do que um instrumento de negociação do Brasil para ter benefícios ao exportador nacional no mercado norte-americano. “É mais uma tomada de posição para negociar com os Estados Unidos”, declarou, dizendo que a lista não é definitiva e que outras negociações podem estar por vir.