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Resistindo à instabilidade externa, Ibovespa conquista quinta alta seguida

Mercados globais sofrem com realização de lucros e incertezas sobre rumos; dólar sobe 0,66% e quebra sequência de quedas

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SÃO PAULO – Apesar de perder o fôlego devido à instabilidade dos mercados internacionais, o Ibovespa conseguiu se manter no campo positivo nesta segunda-feira (24) e fechou seu quinto pregão consecutivo de ganhos. Lá fora, apesar de operarem em alta durante a maior parte do dia, os mercados não resistiram a realização de lucros, com investidores à espera de indicadores importantes da economia norte-americana que serão divulgados esta semana.

O Ibovespa registrou alta de 0,08%, a 57.775 pontos, renovando seu maior patamar desde 31 de julho de 2008, e se aproximando ainda mais dos 58 mil pontos. O volume financeiro totalizou R$ 5,18 bilhões.

O mercado também reagiu mal às previsões de Richard Bove, analista da Rochdale Securities, que projetou que haverá de 150 a 200 novas falências de instituições financeiras no decorrer da crise. Ele disse ainda que os pagamentos à FDIC (Federal Deposit Insurance Corp) poderão consumir até 25% do lucro antes do imposto de renda dos bancos norte-americanos em 2010.

Em Wall Street, destaque para as ações da AMD (Advanced Micro Devices), que disparam 8,11% após o Citigroup elevar de neutra para compra a recomendação para os papéis da empresa. As ações da Ford, por outro lado, caíram 4,26%, com o fim do programa de incentivo a compra de automóveis, o cash-for-clunkers.

Noticiário econômico

O dia foi marcado pela avaliação do encontro de chefes de bancos centrais, sem sinais de reversão dos estímulos monetários atuais. O chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, e o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, afirmaram que a economia mundial está saindo da recessão.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também se mostrou otimista e afirmou que o País será um dos primeiros a deixar a crise, projetando crescimento de 1,5% a 1,6% para o PIB (Produto Interno Bruto) nacional no segundo trimestre.

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Ainda no cenário nacional, a petroquímica Braskem confirmou na última sexta-feira (21) ter realizado proposta de aquisição da Quattor, sem divulgar maiores detalhes. Além disso, a britânica BG anunciou que não encontrou hidrocarbonetos em poço perfurado em conjunto com a Petrobras na bacia de Santos.

Por fim, a Porto Seguro, após encerrar sem acordo as negociações com o Bradesco Seguros, celebrou a associação de suas operações de seguros residenciais e de automóveis com o Itaú Unibanco.

Os investidores avaliaram também as pressões para que a General Motors defina a situação de sua subsidiária europeia Opel, assim como a venda de unidade de remédios sob prescrição medida da Procter & Gamble por US$ 3 bilhões. Além disso, o mercado digere a decisão do Santander em lançar um programa para recompra de até € 16,5 bilhões em títulos, com o objetivo de capitalizar.

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Agenda

Nos EUA, foi divulgado o CFNAI (Chicago Fed National Activity Index), que superou as expectativas dos analistas na medição de julho, ao relatar 0,74 ponto negativo. O índice pondera diversos indicadores já divulgados para avaliar o nível de atividade econômica da região de Chicago.

No Brasil, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) de 22 de agosto marcou inflação de 0,21%, taxa 0,05 ponto percentual abaixo da apurada na medição anterior.

O mercado revisou pela terceira semana consecutiva suas projeções para o brasileiro, como mostra a nova edição do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. A previsão é de menor recessão em 2009, com o centro das estimativas indicando recuo de 0,30% (na semana passada, o número era de -0,34%).

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Ainda por aqui, a balança comercial registrou saldo positivo de US$ 415 milhões na terceira semana de agosto – com isso, o saldo acumulado no ano avançou para US$ 18,943 bilhões, segundo os dados divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

Na Europa, a confiança do empresariado no Reino Unido subiu pela primeira vez em dois anos. O indicador (BCM) saltou de -28,2 para +4,8, a maior alta trimestral desde o início da medição. Os novos pedidos à indústria na Zona do Euro subiram 3,1% em junho, na comparação com maio, quando o indicador mostrara uma redução de 0,5%. Entretanto, na União Europeia os pedidos caíram 0,4% em junho, depois de avançarem 0,5% em maio.

Destaques do Ibovespa

Os papéis da Cosan tiveram forte alta e lideraram os ganhos do dia, seguidos de JBS e Bradespar. Por outro lado, o pior desempenho ficou com os papéis da BM&F Bovespa, que lideraram as perdas após quatro sessões consecutivas de valorização. As ações da Souza Cruz e Lojas Americanas também fecharam o pregão desta segunda-feira com desvalorização.

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As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
CSAN3 Cosan ON 19,42 +3,41 +72,78 20,47M
BRAP4 Bradespar PN 29,85 +3,29 +59,45 34,65M
JBSS3 JBS ON 7,65 +3,10 +56,96 13,88M
CSNA3 Sid Nacional ON 51,80 +2,98 +90,86 146,95M
TNLP4 Telemar PN 29,55 +2,96 +9,72 50,40M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
BVMF3 BMFBovespa ON 11,74 -4,24 +100,44 282,70M
CRUZ3 Souza Cruz ON 59,20 -2,95 +46,52 18,85M
LAME4 Lojas Americanas PN 11,41 -2,40 +82,67 29,62M
LREN3 Lojas Renner ON 29,87 -2,39 +91,37 31,97M
CPFE3 CPFL Energia ON 32,65 -2,25 +17,02 13,10M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
PETR4 Petrobras PN 33,40 -0,68 779,76M 520,46M 18.500
VALE5 Vale PNA 33,60 +1,24 573,71M 507,70M 17.922
BVMF3 BMFBovespa ON 11,74 -4,24 282,70M 138,20M 15.634
BBDC4 Bradesco PN 30,16 -0,46 175,39M 154,42M 8.114
ITUB4 Itau Unibanco PN 34,51 +0,91 156,31M 178,65M 7.058

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar

Após operar durante a manhã no campo negativo, o dólar comercial inverteu sua trajetória no início da tarde e fechou esta segunda-feira cotado a R$ 1,843 na venda – alta de 0,66% -, quebrando uma sequência de quatro baixas seguidas.

Contribuindo para a ampliação da tendência positiva da moeda norte-americana, o BC brasileiro realizou nova compra de dólares no mercado à vista. Segundo dados do Depin (Departamento de Operações de Reservas Internacionais), a operação teve início às 14h51 e terminou às 15h01 (horário de Brasília), cuja taxa aceita ficou em R$ 1,840.

Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram sem tendência definida na BM&F Bovespa nesta segunda-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,62%, baixa de 0,03 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 131,15% de seu valor de face, o que representa uma queda de 0,04%.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 257 pontos-base, alta de 6 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas Internacionais


Nos EUA, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, fechou em leve baixa de 0,14% e atingiu 2.018 pontos. Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 0,06% a 1.026 pontos.
Por outro lado, a Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, teve leve alta de 0,03% atingindo 9.509 pontos.


Na Europa, o

índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou alta de 1,04% e atingiu 5.520 pontos;
no mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris valorizou-se 1,01% chegando a 3.652 pontos
e o FTSE 100, da bolsa de Londres, subiu 0,93% a 4.896 pontos.

Veja os indicadores previstos para a próxima terça-feira
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) apresenta o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) referente à terceira quadrissemana de agosto. O índice é baseado em uma pesquisa de preços feita na cidade de São Paulo, entre pessoas que ganham de 1 a 20 salários mínimos.

A FGV (Fundação Getulio Vargas) publica a Sondagem do Consumidor de agosto. O indicador é compilado com base em uma amostra de mais de 200 domicílios em sete das principais capitais brasileiras.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revela o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) de agosto. Esse índice é calculado segundo a mesma metodologia do IPCA, mas a coleta dos dados é feita entre os dias 15 de cada mês.

O Banco Central publica a Nota do Setor Externo de julho, contendo informações sobre o balanço de pagamentos e as reservas internacionais computadas no período.

Nos EUA, a agência S&P (Standard & Poor’s) publica o S&P/Case-Shiller Home Price de junho. O indicador denota a trajetória dos preços das casas nos EUA por meio de uma média móvel trimestral.

Também sai o Consumer Confidence referente ao mês de agosto. O índice é responsável por medir a confiança dos consumidores norte-americanos.