Rentabilidade, liquidez e segurança: é possível ter os três em um só investimento?

"Se colocarmos luzes verdes, amarelas e vermelhas para cada item, em nenhum as três luzes estarão verdes", diz especialista

SÃO PAULO – Quem investe precisa ficar atento às características da aplicação e analisá-las de acordo com as suas estratégias e objetivos.

E existem três itens fundamentais que devem ser observados pelo investidor antes de decidir por determinado investimento: a rentabilidade, a liquidez e segurança. Mas será que é possível reunir os três em um único investimento?

De acordo com especialistas, não existe uma aplicação financeira que satisfaça plenamente estas três características. “Se colocarmos luzes verdes, amarelas e vermelhas para cada item, em nenhum, as três luzes estarão verdes”, afirma o diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella.

Apesar disso, no Brasil, existem aplicações que podem oferecer algo mais próximo disso. “Nós ainda temos uma alta taxa de juros no País. Assim, a renda fixa – por meio do Tesouro Direto – pode oferecer uma rentabilidade interessante, com bastante segurança e uma boa liquidez”, afirma o diretor da Valore Investimentos Personalizados, Sérgio Quintella.

Alta rentabilidade
Entretanto, apesar de a renda fixa oferecer uma rentabilidade atrativa em um cenário de juros altos como o nosso, para conseguir atingir um rendimento mais elevado  (30%, 50% ou até mais por ano, por exemplo), o investidor precisa adotar estratégias mais agressivas – com a renda fixa, não é possível chegar nem perto disso.

Neste caso, entram os investimentos de renda variável, como as ações e até mesmo os derivativos, como as opções sobre ações.

Entretanto, a alta rentabilidade costuma andar na direção oposta da segurança. “Se você investe na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros – em opções sobre ações ou índices futuros, por exemplo), está com uma aplicação que pode ser líquida, muito rentável, mas que é muito pouco segura”, enfatiza Quintella.

Diversificação
Também existem investimentos que possuem uma expectativa de rentabilidade maior, boa segurança, mas que deixam a desejar em relação à liquidez. “É o caso dos fundos imobiliários, por exemplo”, afirma o especialista em finanças pessoas da MoneyFit, Antonio De Julio.

Justamente por ser impossível conseguir os três itens (em seu nível máximo) em um único investimento, o conceito de diversificação é importante.

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“Se um investidor precisa de liquidez, podemos deixar uma parte em um investimento mais líquido – e talvez não tão rentável – e a outra em uma aplicação que ofereça uma rentabilidade maior, para compensar”, afirma o diretor da Valore.

Desta maneira, a intenção é fazer com que uma aplicação anule os pontos fracos da outra. Com um investimento em ações, por exemplo, você pode conseguir uma rentabilidade bem maior do que no CDB (Certificado de Depósito Bancário) , mas, se as ações caírem, você tem um contraponto na renda fixa. “Você tenta ‘driblar’ essas questões com a diversificação”, diz Quintella.

De acordo com ele, justamente por isso é importante adotar uma estratégia de alocação e mantê-la, fazendo uma realocação de tempos em tempos, sempre que determinado investimento atingir um percentual muito diferente do inicial.

“Se você investe 50% em renda fixa e 50% em renda variável, se algum dos dois investimentos atingir um percentual muito maior na carteira, é importante vender e voltar para o número inicial”, diz.

Quarto item
O especialista da MoneyFit afirma que, quando se fala em segurança, é possível citar dois pontos distintos: o fato de haver ou não rentabilidade negativa e a possibilidade de ficar sem o ativo adquirido (em caso de quebra da instituição, por exemplo).

No caso do investimento em renda variável, o principal fator de risco é a desvalorização dos ativos. Já no caso da renda fixa, a segurança está mais relacionada com uma possível quebra da instituição onde o dinheiro está investido. “Por isso, eu incluiria um outro item que o investidor pode analisar: a tranquilidade, mais relacionada com a possibilidade de desvalorização do que com a quebra da instituição”, afirma De Julio.