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SÃO PAULO – No início do mês de fevereiro o Governo autorizou um reajuste médio de 4,32% para mais de 13 mil medicamentos. Este reajuste é o segundo desde novembro do ano passado quando foi concedido um reajuste entre 2,86% e 3,72% para as farmácias e de 3,95% para os fabricantes. O reajuste de fevereiro acabou ficando abaixo das expectativas dos fabricantes e atacadistas que exigiam um percentual maior entre 7% e 8%. O reajuste deverá ser válido para os meses de fevereiro até dezembro, período em que os preços dos remédios estarão congelados.
Pesquisa sugere aumentos acima do reajuste autorizado
Em pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF) em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamento (IDIUM) pôde se verificar que mais de dois mil medicamentos tiveram reajuste acima do permitido pelo Governo.
A pesquisa também verificou que cerca de 800 medicamentos praticaram reajustes acima do percentual máximo definido pela Câmara de Medicamentos, que era de 5,83%. Em alguns casos os reajustes chegaram a 87,19%, este foi o caso, por exemplo, do analgésico MST Continus, do Laboratório Asta Médica. Outro produto que obteve reajuste abusivo foi o expectorante Toplexil, do Laboratório Aventis Pharma, com uma alta de 30,46%. De acordo com o CRF-DF dentre os laboratórios que aumentaram seus preços acima do limite estabelecido pelo Governo estão: Astra Zeneca, Asta Médica, Aventis Pharma, Novartis, Janssen-Cilag, Sanoli e Allergan.
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Genéricos também sobem acima do limite
O CRF-DF já havia denunciado no final do ano passado a prática de aumentos abusivos por parte de alguns remédios genéricos. De acordo com a legislação, o preço do remédio genérico deve ser em média 40% mais barato do que o medicamento de referência, isto é, o primeiro remédio que entrou no mercado. Entretanto nem sempre isto acontece e alguns genéricos fazem parte do grupo de medicamentos cujo preço aumentou mais do que o estabelecido pelo Governo. Dentre eles estão o diclofenaco de potássio, do Laboratório Rambaxy, que teve reajuste de 6,02%. Também o Laboratório Medley aumentou os preços além do limite permitido.
Em pesquisa do próprio CRF-DF em novembro do ano passado foi constatado que nem sempre os remédios genéricos eram a opção mais barata do mercado e que em alguns casos a diferença com relação aos remédios similares chegava a quase 82%.
Remédios aumentam muito acima da inflação
Segundo informações do próprio IDIUM, nos últimos cinco anos, o reajuste médio nos preços dos medicamentos foi de 150%. Neste mesmo período a inflação acumulada pelo IGP-M, índice que mede os preços ao consumidor e ao atacado, foi de 67,5%, enquanto o IPC (Índice de preços ao consumidor) acumulou variação de apenas 37,6%. Em ambos os casos os reajustes dos remédios ficaram muito acima da inflação acumulada no período, com um impacto negativo sobre o orçamento dos consumidores.
Devido à forte discrepância nos preços o melhor a fazer, como sempre, é pesquisar. Verifique se não existem produtos similares mais baratos do que o genérico que está comprando. Para ajudar o consumidor nesta busca, o Procon, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo de São Paulo, possui atendimento para consultas dos preços dos produtos genéricos através do telefone 0800-126047.