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SÃO PAULO – Depois de fechar o ano passado em seu nível mais baixo desde 1995, ano seguinte à introdução do Plano Real, o volume total de créditos concedidos em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil voltou a cair em janeiro, ficando em 23,8% do PIB.
Esta tendência se deve, sobretudo, à retração no volume de créditos com recursos livres concedidos, que excluem operações com recursos direcionados através de concessões para crédito de habitação ou rural ou através de repasses de recursos de agências de fomento, como o BNDES.
Mais máquinas e menos casas
Em janeiro do ano passado, os empréstimos com recursos livres respondiam por 15,7% do PIB, percentual que caiu para 13,4% em janeiro de 2003. A participação dos empréstimos direcionados caiu menos, passando de 9,2% do PIB para 8,9% em janeiro deste ano.
O volume de crédito com recursos livres, no final de janeiro, era de R$ 213,3 bilhões, praticamente estável em relação ao volume registrado em dezembro. No acumulado dos últimos 12 meses o crescimento foi de 8,2% mas, como o crescimento do volume total de concessões do sistema financeiro (que inclui os recursos direcionados as operações de leasing e os créditos do setor público) cresceu 13,3%, a participação dos créditos com recursos livres caiu de 59% do total para cerca de 56% nos últimos 12 meses.
O menor crescimento do volume de concessões com recursos livres foi parcialmente compensado pelo aumento das concessões do BNDES, que nos 12 meses terminados em janeiro cresceram cerca de 28,4% e alcançaram cerca de R$ 85 bilhões. Com isto, a participação do BNDES aumentou para 23% do total de concessões, o equivalente a quase quatro vezes e meia o volume de empréstimos liberados para a habitação, que em janeiro era de R$ 21,683 bilhões.
Menor nível desde 1995
Com isto, a relação caiu para seu nível mais baixo desde 1995, quando o Banco Central começou a acompanhar este indicador, que estava em cerca de 35%. No início do ano passado, quando a taxa básica da economia ainda estava em 19% ao ano, bem abaixo, portanto dos 26,5% ao ano em que se encontra no momento, esta relação era de 26,5%.
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Depois de atingir 26,9% no mês de julho do ano passado, o volume de créditos em relação ao PIB caiu para 25,8% em agosto, e depois de uma tentativa de recuperação em setembro, quando ficou em 26,5%, acabou recuando para 24% nos dois últimos meses do ano passado, para cair novamente em janeiro.
Nem mesmo em 1999, ano em que o Real sofreu uma maxi-desvalorização e os juros estavam em patamares ainda mais altos do que os atuais, esta relação foi tão baixa. Naquele ano a relação crédito/PIB ficou em 27%.
Inflação e juros altos
A análise da evolução da relação crédito/PIB durante os últimos 12 meses confirma que a instabilidade que atingiu a economia brasileira na segunda metade do ano passado levou os bancos a adotarem uma postura mais cautelosa no que refere à concessão de créditos.
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O forte aumento dos juros cobrados nos créditos a pessoa física, que subiram de 4,67% ao mês em janeiro do ao passado para 5,15% em janeiro deste ano, foi um dos fatores que contribuiu para a queda desta relação. Afinal, muitas pessoas adotaram uma postura mais cautelosa diante do forte aumento dos juros, e evitaram levantar novos empréstimos.
Por outro lado, com a perda de poder aquisitivo por parte das famílias, decorrente do aumento da inflação, que nos últimos 12 meses já atinge 14,47% segundo o IPCA, a inadimplência entre os consumidores aumentou. Esta tendência levou os bancos a adotarem uma postura mais conservadora na concessão de créditos, o que dificultou o acesso a novos empréstimos.
Situação pode piorar
Mas não foi apenas o maior conservadorismo dos bancos que levou a uma queda no volume de concessões. O aumento dos compulsórios sobre depósitos bancários levou a uma queda na liquidez do mercado, que também contribuiu para o menor volume de concessões.
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Esta tendência deve se agravar ainda mais em fevereiro, devido ao aumento do compulsório anunciado na semana passada, que subiu de 45% para 60% dos depósitos a vista. Com menos dinheiro em mãos para emprestar, os bancos ficam ainda mais rigorosos na hora de conceder empréstimos, além de aumentarem os juros cobrados ao consumidor, fechando um ciclo vicioso que contribuiu para a forte queda na relação Créditos/PIB.
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