Reforma da Previdência deve demorar mais que o previsto

Proposta será encaminhada somente em maio e, com isso, é provável que chegue ao Congresso apenas no segundo semestre deste ano

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SÃO PAULO – O ministro da Previdência Social, Ricardo Berzoini, discursou na última segunda-feira para empresário da Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar) e confirmou que a reforma constitucional do setor público da seguridade social deve demorar mais que o previsto.
Nesse sentido, Berzoini acredita que somente em maio a proposta do governo será encaminhada para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, onde será trabalhada. Como a discussão é bastante complexa, é provável que a proposta chegue para votação apenas no segundo semestre.
Berzoini tenta angariar apoios

No último domingo, o ministro da Previdência iniciou uma série de visitas para angariar apoios à reforma, assistindo a uma missa aos aposentados em Aparecida (SP). A seguir, palestrou para lideranças na cidade de Guaratinguetá e também reuniu-se com a cúpula da Força Sindical.
O presidente da instituição levou uma série de propostas da central ao ministro, como maior restrição às isenções dadas a entidades filantrópicas, a tributação sobre o faturamento das empresas, além da unificação do sistema e o teto de dez salários mínimos.
Déficit segue elevado, sinalizando necessidade da reforma

A busca por apoio que Berzoini vem realizando é importante visto que, além de ser um tema polêmico, a reforma da previdência é necessária ao país, em função do elevado déficit que o sistema vem registrando.
Nesse sentido, a Previdência Social obteve, em 2002, déficit de R$ 16,999 bilhões, o que corresponde a 1,27% do PIB (Produto Interno Bruto). Além disso, o resultado negativo foi 32,4% superior ao apresentado em 2001, que foi de R$ 12,836 bilhões, apesar do aumento da arrecadação líqüida.
Com isso, o crescimento do déficit mostra a importância da reforma da Previdência, que vem sendo defendida pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva mas, como evidenciado nos últimos dias, deve sofrer barreiras para ser aprovada.
Além disso, a reforma colaboraria para que a Previdência não onerasse ainda mais os cofres públicos, diminuindo a pressão sobre a contenção de gastos, a fim de atingir as metas de superávit primário.

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