Publicidade
SÃO PAULO – Desde maio de 2003 não se tinha notícia de uma taxa de devolução de cheques tão alta no País. De acordo com os números divulgados pela Serasa nesta segunda-feira (25), o indicador chegou a 2,08% em março último. A taxa mais alta verificada havia ficado em 1,76%, quase dois anos antes.
A taxa de inadimplência do cheque superou em 36 pontos base aquela verificada em março de 2004 (1,72%). Já na comparação com fevereiro, o aumento chegou a 50 pontos base, uma vez que, no segundo mês do ano, o percentual de cheques devolvidos sobre o total de documentos compensados havia sido de 1,58%.
Em termos absolutos, as devoluções em março somaram um total de 3,5 milhões de cheques pelo mesmo motivo: falta de fundos. No terceiro mês de 2004 o volume de devoluções havia sido menor, de 3,2 milhões; e em fevereiro, alcançou 2,4 milhões.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Dados acumulados
O estudo da Serasa aponta ainda a inadimplência acumulada no primeiro trimestre do ano e nos últimos 12 meses.
Na análise trimestral, a taxa de devolução de cheques verificada em 2005 (1,74%) ficou acima do patamar notado de janeiro a março de 2004 (1,63%).
Em 12 meses, encerrados em março, as devoluções equivaleram a 1,61% do total compensado. No mesmo acumulado encerrado em fevereiro, o indicador estava em 1,58%. Segundo a Serasa, a alta de 3 pontos base entre as duas análises é a maior verificada desde o início da série.
Continua depois da publicidade
Principais causas
Ainda de acordo com a pesquisa, os principais fatores que influenciaram os resultados obtidos dizem respeito à sazonalidade do período (pois em março começam a vencer muitas dívidas de Natal), volta às aulas, concentração de impostos no início de ano, e antecipação das vendas de Páscoa no mês de março, o que acabou distorcendo a base comparativa.
O aumento expressivo da inadimplência no último mês também pode ser atribuído à retração da renda disponível das famílias, uma vez que o desemprego voltou a subir, a renda do trabalhador estabilizou e itens como transporte e alimentação ficaram mais caros.