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Faltando apenas 10 dias para o fim do prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2026, os contribuintes precisam ficar atentos diante de um cenário mais rigoroso de fiscalização. Nunca antes a Receita Federal teve acesso a um volume tão amplo de informações fornecidas diretamente por bancos, empresas, cartórios, operadoras de saúde, corretoras, exchanges de criptomoedas, plataformas digitais, imobiliárias e outras bases oficiais. Tudo isso tornou a chance de inconsistências serem detectadas muito mais rapidamente por uma espécie de “VAR” do Imposto de Renda.
Embora a automatização tenha simplificado o preenchimento, especialistas alertam que confiar cegamente nas informações importadas pode ser justamente um dos maiores erros nesta temporada.
Até agora, a Receita já recebeu cerca de 27 milhões de declarações, com quase 60% delas enviadas no modelo pré-preenchido, percentual superior aos 50,3% registrados no ano passado.
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Não checar as informações da pré-preenchida é considerado o maior erro a ser cometido. Segundo os tributaristas, a tecnologia tornou o processo mais rápido, mas também elevou o risco para quem não revisar cuidadosamente cada dado antes do envio.
“O grau de cruzamento de dados da Receita Federal aumentou significativamente em 2025 e 2026. Hoje, a fiscalização não se limita à comparação entre a declaração e os informes de rendimentos. Há integração com eSocial, notas fiscais eletrônicas, instituições financeiras, cartórios, imobiliárias, plataformas digitais, dados internacionais, criptoativos e diversos outros sistemas”, afirma o advogado Leonardo Lucci, da área tributária do Gaia Silva Gaede Advogados.
Na prática, isso significa que omissões antes menos perceptíveis passaram a ser rapidamente identificadas. Recebimentos por aluguel, operações financeiras, despesas médicas inconsistentes e até divergências envolvendo dependentes entram no radar quase automaticamente.
Cerco está fechando
Para Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, muitos contribuintes ainda subestimam a capacidade atual da Receita. “O principal risco jurídico está na falsa sensação de que pequenas omissões não serão detectadas. Hoje, movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada, despesas elevadas, aquisição de bens, recebimento via PIX, aplicações financeiras e inconsistências médicas são facilmente identificadas pelos sistemas”, explica.
Segundo ela, um dos erros mais comuns é imaginar que apenas rendimentos tributáveis merecem atenção. “Rendimentos isentos, ganhos de capital, heranças, doações, evolução patrimonial e movimentações financeiras também são objeto de cruzamento”, acrescenta.
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“O nível do escrutínio da Receita Federal chegou a um nível tão alto que o cerco está fechando para os contribuintes que não declaravam tudo porque consideravam que o ganho era ‘pequeno’. Antes as pessoas tinham uma falsa ideia de que, se é pequeno, não precisa declarar. Mas agora tudo é checado”, explica a advogada Vanessa Cardoso, fundadora do VCI Law.
IA acelera fiscalização
O salto tecnológico da Receita também passa pelo uso crescente de inteligência artificial, o que reduziu a dependência de auditorias manuais e tornou a identificação de divergências praticamente imediata em alguns casos.
Para o diretor executivo da NimbusTax, João Henrique Gasparino, 2026 é um ponto de virada no monitoramento fiscal. “O sistema não espera mais necessariamente uma auditoria humana. Qualquer divergência pode acender um alerta automático. Um ponto importante é que a tecnologia não diferencia erro de má-fé no primeiro momento. Um simples erro de digitação pode disparar o mesmo alerta que uma omissão deliberada”, afirma.
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Segundo ele, um dos pontos mais observados é a coerência entre renda declarada e padrão patrimonial. “Se a pessoa declara renda mensal de R$ 5 mil, mas apresenta movimentações incompatíveis, aquisição de bens ou aportes relevantes sem justificativa fiscal, isso pode chamar atenção imediatamente.”
O monitoramento mais robusto também atingiu novas frentes. Lucci lembra que o sistema Receita Saúde, obrigatório desde janeiro de 2025 para profissionais de saúde pessoas físicas, ampliou significativamente o controle sobre despesas médicas, tradicionalmente uma das áreas com mais inconsistências nas declarações.
Atenção com a pré-preenchida
A declaração pré-preenchida ajuda, mas também exige cautela. Embora o modelo reduza erros operacionais e agilize o preenchimento, a responsabilidade legal sobre as informações continua integralmente com o contribuinte.
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“A declaração pré-preenchida evoluiu bastante e hoje é uma ferramenta extremamente útil. Ainda assim, não é recomendável confiar integralmente sem revisão prévia, porque as fontes das informações podem errar ou determinados dados podem ser importados incorretamente”, afirma João Vitor Xavier, tributarista do Galvão Villani, Navarro, Zangiá como e Bardella Advogados.
Na avaliação dos especialistas, o crescimento acelerado desse modelo pode, inclusive, gerar um falso senso de segurança. “Muitos erros atuais surgem justamente porque o contribuinte presume que, se a Receita importou o dado, ele está necessariamente correto”, diz Daniela.
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Erro pode custar caro
Além de atrasar ou bloquear a restituição, inconsistências podem resultar em cobrança retroativa de imposto, incidência de juros, multas e, em situações mais graves, questionamentos formais do Fisco.
Se o contribuinte identificar o erro antes de eventual notificação, ainda pode apresentar declaração retificadora. Mas, se a Receita agir primeiro, o custo aumenta consideravelmente. O cenário, segundo os especialistas, transformou a revisão da declaração numa etapa obrigatória, e não mais opcional.
Como resume Lucci, a Receita passou a operar como um ecossistema integrado de dados. “A checagem prévia deixou de ser apenas recomendável. Hoje ela é essencial.”
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Faça o checklist para escapar da malha fina:
– informes de rendimento de bancos, empregadores e corretoras;
– despesas médicas e recibos válidos;
– dependentes (evitar duplicidade de uso e declare renda do dependente, se tiver);
– rendimentos de aluguel;
– operações em bolsa e criptomoedas;
– pagamentos e movimentações via PIX;
– compra e venda de imóveis e veículos;
– evolução patrimonial compatível com a renda;
– aplicações financeiras e previdência privada;
– rendimentos isentos, heranças e doações;
– dados importados na declaração pré-preenchida;