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O primeiro lote de restituições já foi pago no último dia 29 de maio. Ao todo foram liberados R$ 16 bilhões para aproximadamente 8,7 milhões de contribuintes, o maior valor já devolvido em uma única rodada de restituição do Imposto de Renda. E a Receita Federal garantiu que cerca de 80% de todas as restituições previstas para este ano devem ser pagas nos dois primeiros lotes, até o final de junho. Diante disso, muitos contribuintes já começaram a fazer planos para o dinheiro extra. Mas a recomendação de especialistas em finanças pessoais é avaliar a própria situação financeira antes de sair gastando.
A orientação é importante porque, na maioria dos casos, a restituição não representa uma quantia capaz de transformar o patrimônio do contribuinte, mas pode fazer uma diferença significativa quando utilizada de forma estratégica.
Segundo Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, o destino do dinheiro não deve seguir uma fórmula única. “Não existe uma receita de bolo. A decisão depende do momento de vida de cada pessoa. Antes, é preciso olhar para proteção financeira e organização das finanças”, afirma.
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Equacionar as dívidas
Para quem possui dívidas em aberto, especialmente aquelas com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial, a recomendação fundamental é usar a restituição para quitar ou reduzir o saldo devedor. Isso porque os juros cobrados nessas modalidades costumam superar com folga qualquer rendimento obtido em aplicações financeiras conservadoras.
“Eliminar uma dívida cara costuma ser o investimento mais rentável que existe. O retorno é imediato porque o contribuinte deixa de pagar juros elevados todos os meses”, explica Casagrande.
Segundo o especialista, programas de renegociação podem potencializar esse benefício ao permitir descontos relevantes sobre o valor devido.
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Monte uma reserva
Para quem está com as contas em dia, mas não possui uma reserva financeira para emergências, a restituição pode funcionar como o primeiro passo para construir esse colchão de segurança. A reserva de emergência é considerada uma das bases do planejamento financeiro, porque evita que imprevistos levem o consumidor novamente ao endividamento.
“A reserva quebra o ciclo das dívidas futuras. É ela que protege o orçamento quando acontece uma perda de renda, um problema de saúde ou uma despesa inesperada”, afirma.
E lembre que, nesse caso, o foco não deve estar na rentabilidade máxima. O mais importante é priorizar segurança e liquidez.
Onde guardar o dinheiro?
Em um cenário de juros ainda elevados e inflação pressionando o orçamento das famílias, a renda fixa continua sendo uma das alternativas mais procuradas. Para a reserva de emergência, especialistas recomendam aplicações atreladas ao CDI e com liquidez diária, que permitam o resgate rápido do dinheiro sem oscilações relevantes.
A lógica é simples: o recurso precisa estar disponível quando o imprevisto acontecer. Por isso, aplicações que exigem longos prazos de resgate ou apresentam volatilidade elevada costumam ser menos indicadas para essa finalidade.
Reforço financeiro
Para os contribuintes que não possuem dívidas e já construíram uma reserva de emergência, a restituição pode funcionar como um reforço para objetivos de médio e longo prazo. Segundo Casagrande, a escolha dos investimentos deve respeitar o prazo e o perfil de risco do investidor.
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Nesse grupo, entram metas como:
- aposentadoria;
- compra de imóvel;
- educação dos filhos;
- viagens;
- formação de patrimônio.
Renda fixa continua atraente
Com os juros ainda elevados, a renda fixa segue oferecendo oportunidades para diferentes perfis. Além dos produtos atrelados ao CDI, o especialista destaca os títulos indexados à inflação como uma alternativa para quem deseja preservar o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo.
“Os papéis atrelados ao IPCA ajudam a proteger o patrimônio em períodos de inflação mais elevada, porque oferecem ganho real acima da variação dos preços”, explica.
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Já os títulos prefixados exigem mais cautela. Como travam uma taxa de remuneração até o vencimento, costumam ser mais adequados para quem tem clareza de que não precisará do dinheiro antes do prazo final.
Leia Mais: Caiu na malha fina do IR? Veja o passo a passo para regularizar a declaração
Bolsa exige visão de longo prazo
Para investidores que aceitam mais risco, a renda variável também pode fazer parte da estratégia. Mas a recomendação é evitar decisões baseadas em modismos ou apostas de curto prazo.
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“O investidor não precisa tentar descobrir qual será a ação da moda. O mais importante é focar em empresas sólidas, resilientes e capazes de gerar valor ao longo do tempo”, afirma Casagrande. A lógica é especialmente válida para quem investe pensando em objetivos de longo prazo.
Diversificação
A alternativa para quem prefere não acompanhar o mercado diariamente são os fundos de investimento. Segundo Casagrande, a escolha dos investimentos deve respeitar o prazo e o perfil de risco do investidor. Além disso, taxas elevadas podem reduzir significativamente a rentabilidade ao longo dos anos.
Nesse caso, a recomendação é observar:
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- estratégia do gestor;
- perfil de risco;
- histórico de desempenho;
- custos e taxas de administração.
O melhor investimento não é o que rende mais
Um dos erros mais comuns dos investidores é buscar apenas o produto que promete maior retorno. Para Casagrande, mais importante do que isso é entender qual função aquele dinheiro terá dentro do planejamento financeiro.
“O melhor investimento não é necessariamente o que rende mais. É aquele que está alinhado ao objetivo, ao prazo e ao nível de risco que permite ao investidor dormir tranquilo à noite”, afirma.
Em outras palavras, antes de perguntar onde investir a restituição, talvez a pergunta mais importante seja: para que esse dinheiro será usado no futuro?
O que fazer com a restituição do IR?
Tem dívidas?
– Prioridade total para quitar cartão, cheque especial e empréstimos caros.
Não tem dívidas, mas vive no limite?
– Monte uma reserva de emergência.
Já tem reserva?
– Use o valor para acelerar objetivos de médio e longo prazo.
Onde investir?
– CDI e liquidez diária para emergências.
– Títulos atrelados ao IPCA para proteger o poder de compra.
– Bolsa apenas para quem aceita oscilações e pensa no longo prazo.
– Fundos para quem prefere delegar a gestão.