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SÃO PAULO – As 15 operadoras afiliadas à FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) reajustaram o valor das consultas médicas acima da variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A afirmação é do diretor-executivo da FenaSaúde, José Cechin, durante audiência pública sobre problemas em planos de saúde, ocorrida nesta terça-feira (10).
Segundo a entidade, a variação do IPCA entre 2002 e 2010 foi de 76,31%, enquanto as afiliadas à Federação reajustaram os valores das consultas médicas de 83,33% a 116,30%, no mesmo período. “Temos na FenaSaúde as principais empresas e que estão entre as que pagam os maiores valores”, afirmou Cechin, segundo a Agência Câmara.
Citando dados do IBGE, o diretor-executivo da Federação argumentou ainda que 81% dos usuários estão satisfeitos com seus planos de saúde. “O plano de saúde se tornou o segundo mais importante desejo, só abaixo de ter casa própria. Se há essa aspiração, entendo que os planos de saúde ajudam a solucionar os problemas dos cidadãos”, afirmou.
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Lucros
O presidente da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, deputado Sílvio Costa (PTB-PE), afirmou que as operadoras de plano de saúde possuem alto lucro. De acordo com a FenaSaúde, no ano passado, as 15 afiliadas tiveram receita de R$ 73 bilhões e despesa de R$ 58 bilhões.
“Estou impressionado com a margem de lucro das empresas de plano de saúde. Quem tem 5% de lucro líquido já é um ótimo negócio em qualquer país capitalista e vocês tiveram no mínimo 20%”, afirmou o deputado aos representantes dos planos de saúde, durante a audiência.
Médicos
Já o presidente da AMB (Associação Médica Brasileira), José Luiz do Amaral, que também participou da audiência, afirmou que as operadoras não cumprem norma da ANS (Agência Nacional Saúde Suplementar) que prevê reajuste periódico para honorários médicos nos contratos de trabalho.
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“A obrigatoriedade do reajuste é descaradamente não cumprida. A insatisfação dos médicos se alastra pelo País”, disse o presidente da AMB.
Para Amaral, a ANS deveria intervir como mediadora, quando médicos e operadoras de planos de saúde não entrassem em acordo.
Investigação
O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, deputado Roberto Santiago (PV-SP), anunciou que a comissão vai sugerir uma Proposta de Fiscalização e Controle para investigar as operadoras, já que, segundo ele, as informações dada pela FenaSaúde durante a audiência pública não estão de acordo com a realidade de prestação de serviço pelos planos de saúde.
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“Já que não temos informações, vamos buscar respostas dentro das empresas”, afirmou o deputado.