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Ramo saúde mantém rentabilidade com redução de gastos com comissão

Gastos relativamente maiores com reserva de risco forçam segmento a adotar estrutura de comissões mais enxuta

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SÃO PAULO – Apesar do setor de seguros de saúde ter registrado, segundo dados da Fenaseg (Federação Nacional de Seguros Privados), a maior taxa de sinistralidade entre as várias modalidades de seguro acompanhadas pela entidade, sua rentabilidade operacional não é tão ruim como seria de se esperar.

O termo taxa de sinistralidade reflete o quanto a seguradora terá que pagar em indenização para cada R$ 1,00 de prêmio recebido. Portanto, uma taxa de sinistralidade de 70% significa que para cada R$ 1,00 recebido em prêmio, a seguradora gasta R$ 0,70 no pagamento de indenizações.

Mais alta sinistralidade do mercado

É com base nesta taxa que as seguradoras efetuam as contribuições às suas reservas de risco. No caso das seguradoras de saúde, a taxa de sinistralidade média registrada no ano passado foi de 81,98%. Ela ficou muito acima daquela registrada até mesmo nos seguros de automóveis, que ficou em 71%, e da média do mercado de 66,90%.

Esta diferença acaba sendo compensada pelas empresas através de gastos relativamente baixos com comercialização de produtos, ou seja, com despesas de corretagem. Segundo dados da ANS, no final de dezembro do ano passado as seguradoras de saúde do país gastaram R$ 20,2 milhões em comissões, o equivalente a cerca de 3,7% da receita de prêmios total do setor naquele mesmo mês.

Queda nas despesas de corretagem compensa risco

Já no mês de janeiro este percentual subiu para 3,9% das receitas, enquanto os gastos administrativos alcançaram a marca de R$ 58,3 milhões, ou cerca de 10,3% do faturamento total do setor. O fato das despesas administrativas serem quase três vezes maiores do que as despesas comerciais do setor surpreendeu até mesmo a ANS.

Além disto, a Agência também se mostrou surpresa com a boa rentabilidade das carteiras de saúde, que no ano passado só registraram um índice combinado negativo durante os meses de maio e junho. O índice combinado reflete em termos percentuais quanto à soma de despesas de contribuição para as reservas de risco e despesas operacionais superam as receitas com a venda de seguros.

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No caso das seguradoras de saúde, como em média gastam 81,48% das receitas com as reservas de risco, elas precisam garantir que seus gastos com comercialização e outras despesas operacionais sejam inferiores a 18,52% das receitas para que seu índice combinado não supere os 100%.
Ganhos financeiros garantem rentabilidade

Como os ganhos financeiros são excluídos do cálculo do índice combinado, em geral as seguradoras buscam manter seu índice combinado abaixo de 100%, pois assim todos os ganhos financeiros que obtiverem da aplicação de seus reservas técnicas serão revertidos em lucro da empresa.

Com a deterioração dos mercados financeiros no ano passado, os ganhos financeiros de muitas empresas foram prejudicados, de forma que somente aquelas que tinham um índice combinado abaixo de 100% conseguiram manter sua rentabilidade atrativa. No ramo saúde o índice combinado das empresas variou entre 92% e 99% durante o ano passado. Ou seja, de cada R$ 1 em receitas, as seguradoras gastaram R$ 0,982 a R$ 0,99 em despesas operacionais, deixando uma margem, ainda que estreita, para compensar uma possível queda no retorno financeiro.