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SÃO PAULO – A combinação de menor atividade da economia e manutenção de juros altos nos financiamentos de automóveis comprometeu as vendas de automóveis no país. De acordo com dados da Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores) as vendas de veículos no país caíram 16,9% nos primeiros sete meses do ano.
O resultado só não foi pior porque em julho as vendas registraram uma certa recuperação, crescendo pouco mais de 1% frente ao registrado em junho deste ano. A recuperação na verdade não significa tanto uma melhora nos resultados deste ano, mas sim o fato de que as vendas de julho do ano passado já começavam a ser afetadas pela combinação de vários fatores negativos, como a alta dos juros e desaceleração da economia.
Queda nas vendas de carros novos prejudicou venda de seguros
Em agosto as perspectivas para o setor são mais positivas, sobretudo depois do anúncio de redução das alíquotas de IPI, que permitiram uma redução nos preços dos carros com motor abaixo de 2.0. O fraco volume de vendas de automóveis acabou comprometendo também as vendas de seguros de automóveis, que é de longe a maior carteira de seguros no Brasil, com cerca de 36,6% do faturamento total.
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Contrariando a tendência de crescimento do setor de seguros no Brasil, que nos primeiros seis meses do ano acumularam crescimento de 15,2%, as vendas de seguros de automóveis ficaram praticamente estáveis em relação ao mesmo período no ano passado, com um aumento de apenas 0,4%.
O fraco crescimento dos seguros de carros não surpreende, uma vez que os carros zero km respondem por 40% dos seguros vendidos. Se considerarmos que as vendas de carros novos registraram queda de quase 17% em 2002 fica fácil entender o porque da estabilidade nas vendas de seguros de carros.
Aumento da sinistralidade forçou reajuste de preços
Não bastasse a queda nas vendas, o setor também foi afetado pelos fortes reajustes no preço das apólices, que subiram entre 4% e 11% no primeiro semestre deste ano. As seguradoras justificam o aumento alegando que o reajuste foi necessário para compensar o aumento da sinistralidade.
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O termo reflete a ocorrência do risco previsto no contrato de seguro, isto é, no caso de seguro de carro, implica no roubo do carro, ou acidente envolvendo o veículo. O termo taxa de sinistralidade reflete o quanto a seguradora terá que pagar em indenização para cada R$ 1,00 de prêmio recebido. Portanto uma taxa de sinistralidade de 70% significa que para cada R$ 1,00 recebido em prêmio a seguradora gasta R$ 0,70 no pagamento de indenizações.
Como os reajustes foram maiores entre as grandes seguradoras, pode-se verificar um crescimento das companhias de menor porte, que ganharam espaço de mercado. Dentre elas, podemos destacar a Unibanco AIG, cuja carteira de seguros de carros cresceu 27% no primeiro semestre deste ano.
Por sua vez, a Porto Seguro conseguiu a liderança no segmento de seguros de carros, ao ultrapassar a Bradesco e a Sul América. Enquanto, a Porto Seguro registrou um aumento nas vendas de seguros de carros de 13,1%, o Bradesco e a Sul América registraram quedas de 9,6% e 9,7%, respectivamente. A companhia que agora é líder do segmento registrou vendas de R$ 639 milhões no semestre, contra R$ 577 milhões do Bradesco e R$ 572 da Sul América.