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Queda da Selic vai impactar o consumidor de seguros?

Efeito nos preços das apólices pode variar conforme o ramo do seguro contratado

Jamille Niero

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A redução de 0,5 ponto porcentual na Selic, anunciada na quarta-feira (2) pelo Copom, marca o início do ciclo de cortes na taxa, mas não deve ter um impacto imediato e relevante ao consumidor de seguros.

“Das componentes do preço do seguro (risco, despesas administrativas, despesas comerciais, tributos e lucro), a única que está relacionada à taxa de juros é o lucro (montante necessário para remunerar o capital do acionista). Com a queda da taxa de juros, o custo do capital também cai, mas continua elevado”, explica Alexandre Leal, Diretor Técnico e de Estudos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

De acordo com ele, a queda da taxa de juros gera uma expectativa de alta no consumo das famílias e no investimento das empresas, aumentando também a demanda por seguro. “As empresas, acomodando essa maior demanda na estrutura atual delas, ou seja, sem incremento das despesas administrativas, podem levar a uma redução do preço também, mas nada relevante”, complementa Leal.

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Na avaliação de John Liu, diretor executivo de Investimentos da seguradora Zurich, a medida poderá também “beneficiar as contas públicas do governo com a diminuição dos encargos de juros”, além de trazer o alívio nos encargos financeiros de famílias e empresas.

Em relação ao mercado segurador, Liu sinaliza que um dos eventuais impactos poderá ser em relação à parcela alta de investimentos que as seguradoras historicamente possuem em seus balanços, tornando a receita financeira uma parte importante do resultado das companhias. “Com a redução da Selic, as seguradoras provavelmente buscarão compensar a menor receita financeira com eficiências, seja operacional ou uma melhor qualidade no processo de underwriting [‘subscrição’, que é o processo de análise que visa à aceitação ou recusa de riscos para fins de seguros]”, observa o executivo da Zurich.

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Impactos diferentes

Rodrigo Leite, professor de Finanças e Controle Gerencial do COPPEAD/UFRJ (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro), concorda que o impacto inicial da queda da Selic para o consumidor deve ser muito pequeno.

Porém, o cenário pode ficar mais atrativo na medida em que a taxa for caindo ao longo dos próximos meses. “No longo prazo, com as quedas se mantendo, vai diminuir o custo do seguro, porque diminui o custo para as seguradoras, já que diminui o custo do dinheiro. Todo o modelo, quando você estima o sinistro (o pagamento do prêmio pelo consumidor), tem que contabilizar o valor do dinheiro também”, observa Leite.

Na análise do professor, quanto “mais arriscado” é o seguro contratado pelo consumidor, maior será o impacto, porque quanto maior o risco mais caro ele fica. Por exemplo: um seguro de vida para um jovem é menos arriscado do que um seguro de automóvel.

Isso porque o jovem tem menos chances de morte natural do que o de um automóvel ser roubado. Outro ponto é que se o risco é muito alto, as seguradoras também precisam contratar um seguro para garantir um volume maior de eventuais indenizações – é o chamado resseguro. “Nas operações de resseguro, a transferência de risco ocorre com muito mais frequência. E tudo isso, esse custo financeiro, está atrelado à Selic”, continua Leite.

A avaliação de Amâncio Paladino, diretor de produtos e previdência da XP Seguros, é parecida. De acordo com ele, não só o seguro automóvel, mas todos os segmentos que estão no guarda-chuva de ramos elementares podem ser os impactados em um primeiro momento.

“Basicamente eu estou falando de seguros patrimoniais, de bens, de garantia, de seguros atrelados a crédito e tudo mais. Certamente eles vão sofrer o impacto positivo mais rápido do que no caso do seguro de pessoas, porque vai ter um aumento da atividade econômica, que vai ampliar o nível de crédito. Nesse cenário vai ter mais contratação do seguro prestamista para crédito”, contextualiza  Paladino.

Os seguros de pessoas (que consideram os segmentos de vida, funeral, acidentes pessoais, viagem, etc) também devem caminhar num fluxo mais positivo, mas em um segundo momento. “O impacto vai ser efetivamente no momento que a gente tiver uma massa de recursos mais disponível na mão do consumidor final, da pessoa física, e ela vai se dispor a avaliar contratos de seguro que ela não estaria disposta a avaliar hoje”, diz o diretor da XP. Nesse caso, o reflexo seria apenas no aumento de vendas mas não necessariamente na sinistralidade, já que nesse ramo não há reposição de bens.

Outro impacto, sinaliza Paladino, poderá ocorrer no ramo de previdência privada. Ele acredita que haverá uma migração de recursos de fundos de previdência que estão atrelados a renda fixa para fundos que utilizam mais a renda variável.

“Podemos entender isso como sendo ações, e também para fundos que têm uma participação muito grande de títulos longos, que têm uma taxa de juro pré-fixado, com prazos mais longos. Acho que vai ter uma migração natural para esse tipo de investimento em previdência e vai impactar positivamente. As pessoas vão estar mais dispostas a investir, seja pela rentabilidade, seja pela disponibilidade de recursos” pontua.

Para todos os ramos de seguros, a dica dos especialistas consultados pela reportagem para o consumidor é sempre procurar o consultor de seguros para avaliar as coberturas contratadas e entender se fazem sentido com o seu atual momento de vida.

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Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa.