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SÃO PAULO – Você economizou na conta de luz, controlou o uso do telefone, segurou-se para não ceder aos impulsos do consumismo, mas, mesmo assim, seu dinheiro não durou até o fim do mês?
Antes de achar que você é incapaz de gerenciar seu orçamento doméstico e que a sua renda não é suficiente para cobrir as suas despesas mensais, restando-lhe somente a opção de recorrer a um empréstimo para sobreviver até o próximo salário, vale a pena rever seus hábitos de consumo.
Tome cuidado ao contrair mais dívidas
A questão que se coloca é se você efetivamente precisa incorrer em alguns destes gastos naquele momento, ou se não é possível esperar um pouco mais, juntando uma pequena quantia todos os meses, até acumular o necessário.
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Os grandes críticos da sociedade de consumo em que vivemos avaliam que a incapacidade de adiar, ainda que por alguns meses, o impulso consumista é, sem dúvida, o maior problema do mundo em que vivemos. Nesse contexto, contrair novas dívidas para arcar com gastos correntes irá prejudicar ainda mais o equilíbrio do seu orçamento.
Em alguns casos, entretanto, surgem despesas extraordinárias, que não temos como adiar, como, por exemplo, gastos com saúde, acidentes, etc, e levantar um empréstimo pode ser a única saída. Mas, é preciso cuidado! Informe-se sobre as várias alternativas de financiamento, e só então escolha a mais adequada às suas necessidades.
Cheque especial é mais comum
Em termos de linhas de crédito oferecidas por bancos ao consumidor, o cheque especial é, de longe, a modalidade preferida.
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Dados do último relatório de política monetária do Banco Central, referentes a junho, apontavam um volume total de concessões ao consumidor de cerca R$ 30 bilhões. Deste total, metade era composta de operações com cheque especial, 15,8% empréstimo pessoal e 10,6% transações com cartão de crédito.
- Empréstimo pessoal
Apesar de os juros não serem baixos – de acordo com pesquisa mensal da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) para o mês de julho a taxa média cobrada neste tipo de operação era de 6,09%- a modalidade é uma das formas mais baratas de se obter recursos.
Entretanto, antes de contrair qualquer empréstimo com um banco, pesquise. As taxas de juros e as exigências para a concessão de crédito podem variar dependendo da instituição. O procedimento para se conseguir um empréstimo pessoal não é complicado, mas a maioria dos bancos não empresta para quem tem o nome incluído em algum cadastro de inadimplentes.
- Cheque especial
A grande vantagem está no limite de crédito dado pelo banco aos seus correntistas, já que os juros tendem a ser mais altos. Por se tratar de um crédito pré-aprovado, é uma maneira simples de se conseguir um empréstimo, já que não é preciso sequer contatar o gerente. O limite concedido pelo banco varia de acordo com a renda do cliente e com a avaliação de risco feita pela instituição financeira.
Ainda que as taxas do cheque especial tenham caído bastante, trata-se de uma das modalidades mais caras de crédito ao consumidor. Para se ter uma idéia, segundo o mesmo levantamento da Anefac, enquanto no empréstimo pessoal o banco cobra uma taxa mensal de 6,09%, no cheque essa taxa sobe para 8,26%.
Desta forma, o cheque especial deve ser utilizado em último caso, por dois ou três dias, quando acontece algum imprevisto. Ou seja, este recurso serve como alternativa para cobrir aqueles “buracos” que aparecem no orçamento, e não pode, jamais, virar um hábito mensal.
- Cartão de crédito
Da mesma forma que o cheque especial o cartão de crédito funciona como uma modalidade de crédito pré-aprovada, ou seja, uma vez concedido o limite você não precisa consultar a operadora caso queira utilizá-lo. As taxas são ainda mais elevadas que as do cheque especial, e se situam em torno de 10,11% segundo a Anefac.Vale lembrar que o simples uso do cartão de crédito não é um problema. Entretanto, animadas com a possibilidade de pagar apenas o valor mínimo, algumas pessoas acabam entrando no crédito rotativo, e rapidamente se vem atoladas em dívidas.
Tanto no caso do cheque especial, como no do cartão de crédito, você não deve considerar o limite pré-aprovado como sendo parte da sua renda mensal. Adotar esse tipo de postura certamente irá colocar você em dificuldades financeiras mais rápido do que você imagina.
Desconfie quando tudo for fácil demais
Sem dúvida a opção que exige mais cuidado, dentre as que já discutimos, é a de levantar crédito com financeiras. Em troca de pouca burocracia, essas empresas cobram os juros mais altos dentre as várias modalidades de crédito ao consumidor (12,18% ao mês).
É importante ressaltar que, nesta modalidade, os juros podem variar muito de acordo com o perfil de risco do cliente. Assim, clientes de perfil mais arriscado tendem a pagar taxas ainda mais elevadas do que esta, enquanto nos casos de menor risco a taxa pode ficar em linha com a do cheque especial.
Em geral, essas instituições atraem clientes desesperados, que não possuem conta em banco, e, portanto têm dificuldades de obter outra forma de crédito; ou que precisam de dinheiro urgentemente e não possuem um bom histórico de crédito. Trata-se de uma opção de financiamento que só deve ser usada por quem efetivamente já esgotou todas as outras alternativas acima.
Troca de dívidas
O brasileiro ainda não está acostumado em substituir uma dívida por outra. Aqui não estamos falando de levantar uma dívida para quitar outra, mas sim de aproveitar a queda dos juros, ou uma melhoria no seu perfil de crédito, para levantar um novo financiamento a juros mais baixos.
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Vamos imaginar, por exemplo, uma pessoa que tenha uma dívida de R$ 20 mil e possua um veículo já quitado com valor igual ou superior. Nesse caso, uma alternativa seria vender o automóvel para regularizar a sua pendência e depois financiar a compra de um outro automóvel.
Apesar dessa prática não eliminar a dívida, garante o pagamento de juros bem menores do que aqueles que você pagaria num empréstimo pessoal, por exemplo. Afinal, a taxa média de juros nos financiamentos de automóveis é de cerca 3,6% ao mês, muito abaixo, portanto, das taxas do empréstimo pessoal. Raciocínio semelhante vale para quem está atolado no cartão, ou no cheque, e pode, por exemplo, quitar a dívida com um empréstimo pessoal, a juros mais baixos.