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SÃO PAULO – De maneira geral a qualidade de vida do brasileiro melhorou entre 1991 e 2000, pelo menos é o que constatou o Atlas de Desenvolvimento Humano divulgado nesta quinta-feira, dia 02 de outubro. Esta melhoria teria sido mais evidente nos pequenos municípios, onde a qualidade de vida teria aumentado mais significativamente devido ao maior acesso à educação.
Os dados do Atlas se baseiam nas estatísticas dos Censos de 1991 e 2000 e foram elaborados em parceria pelo Pnud (Programa Nacional das Nações Unidas para Desenvolvimento), o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e a Fundação João Pinheiro.
O Atlas é um estudo bastante amplo que cruza cerca de 260 dados sócio-econômicos. Contudo, seu principal indicador é, sem dúvida, o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que busca estabelecer o grau de desenvolvimento de uma determinada região com base em informações sobre a renda, educação e longevidade de sua população.
Melhora foi maior entre pequenos municípios
De acordo com o estudo, entre 1991 e 2000, o IDH do país teria saltado de 0,696, que está um pouco abaixo do teto da faixa onde o IDH é considerado médio, para 0,766, que já pertence ao intervalo de IDH tido como bom (ver tabela abaixo).
Com isto o IDH médio do país teria aumentado 10,1% no período em questão, sendo que o aumento mais significativo foi registrado nos municípios de até 50 mil habitantes onde teria crescido 15,9%. Por sua vez, nas cidades com mais de um milhão de habitantes o crescimento médio do IDH teria sido bem menor, de 6,1%.
Em termos de renda, o estudo constatou uma diminuição do número de pessoas que vivem com menos de R$ 75,50. Se em 1991, cerca de 40,08% da população se encontrava nesta situação, em 2000 este percentual caiu para 32,75% em todo o território nacional. Contudo, no Estado de São Paulo este percentual teria aumentado de 12,86% para 14,37%.
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IDH melhorou como um todo na última década
Ao analisarmos a evolução do IDH nos 5.507 municípios do país entre 1991 e 2000 o que se constata é uma grande melhoria na qualidade de vida da população com o percentual de municípios com IDH alto e bom subindo de cerca 22,5% em 1991 para 53,9% em 2000.
Em sentido contrário, o percentual de municípios com IDH ruim, ou baixo, teria caído de 43% em 1991 para 15,6% no último censo de 2000. A queda teria siso mais acentuada entre os municípios de baixo IDH, que em 1991 representavam 18,1% do total de municípios e em 2000 eram apenas 0,40% do total.
A tabela abaixo resume a evolução do percentual de municípios do país com IDH alto, bom, médio, ruim ou baixo entre 1991 e 2000:
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| IDH | % total de municípios em 1991 | % total de municípios em 2000 |
| Alto
Acima de 0,801 | 0,33% | 10,1% |
| Bom
Entre 0,701 e 0,80 | 22,2% | 43,9% |
| Médio
Entre 0,601 e 0,70 | 34,3% | 30,2% |
| Ruim
Entre 0,501 e 0,60 | 24,9% | 15,2% |
| Baixo
Abaixo de 0,50 | 18,2% | 0,4% |
Estabilidade da economia contribuiu para melhora
Na visão do chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Néri, a melhora significativa da distribuição do IDH na maioria dos municípios do país se deve, em grande parte, à estabilização da economia a partir de meados da década de 90.
O controle da inflação teria possibilitado que uma parcela maior dos recursos fosse destinada a programas sociais. Além disto, a queda da inflação aumentou o poder aquisitivo da população que, por sua vez, passou a ter acesso a bens de consumo e bens duráveis que antes não possuíam, como, por exemplo, geladeira, automóveis, etc.
Em contrapartida, a maior abertura da economia prejudicou, sobretudo, os grandes cetros urbanos onde se constatou um maior aumento do desemprego. Além disto, as iniciativas de proteção social não tiveram o mesmo impacto nos grandes centros do que nos pequenos municípios.
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