Projeto pode padronizar as medidas do vestuário brasileiro

Cerca de 25 mil brasileiros serão medidos por scanners instaladas em escolas, faculdades e lugares públicos

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SÃO PAULO – Um projeto para uniformizar as medidas do vestuário brasileiro deve ganhar as ruas em breve. É que a falta de um padrão prejudica o comércio e causa irritação entre os consumidores, que dificilmente encontram uma roupa ou sapato adequado ao seu tamanho.

“É comum as indústrias cortarem uma calça [jeans] com manequim 46, e, depois que vai para a lavanderia, ela volta 42”, lembra o presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad.

25 mil brasileiros serão medidos

Para isso, o projeto Padrão de Tamanhos, criado em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), pretende medir 25 mil brasileiros nas regiões Norte, centro-sul e Sul (Censo Antropométrico) com base nas metodologias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essas pessoas serão medidas por scanners, parecidos com um terminal de banco 24 horas, instalados em escolas, faculdades e lugares públicos.

Em 1995, a portaria da ABNT nº 13377 já previa a padronização de tamanhos dos produtos do vestuário brasileiro. Recentemente, a Abravest firmou convênio com o órgão para o fornecimento de um certificado às empresas que produzem suas peças de acordo com a portaria.

Selo de qualidade

De posse da Certificação de Conformidade da ABNT, estas empresas podem solicitar o selo de qualidade da Abravest. Atualmente, apenas 120 indústrias e confecções de roupas obtiveram o aval da associação.

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Junto à Lei da Etiqueta, que instituiu a obrigatoriedade de informar a composição técnica dos tecidos na roupa e orientação para a lavagem, as normas de padronização devem melhorar a qualidade das roupas brasileiras.

Automóveis e aviões

“A padronização dos tamanhos brasileiros também vai servir para a indústria automobilística, de calçados, da construção civil, aeronáutica, na fabricação de caminhões, de máquinas e equipamentos”, ressalta Chadad. Ele explica que os norte-americanos e europeus são maiores do que os brasileiros. “Daí surgem as dificuldades de adaptação nos automóveis, aviões, equipamentos, máquinas e até móveis”.

A Abravest espera que as vendas de vestuário via internet também aumentem com as novas medidas. Chadad explica que, sem a padronização, um estrangeiro não compra pela internet uma roupa feita no Brasil porque não conhece a correspondência no padrão. “Como um brasileiro vai reclamar sobre um tamanho de um produto importado, se não temos parâmetro normatizado no País?”, pergunta o especialista.

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Só no ano passado, os Estados Unidos compraram US$ 178 milhões de roupas, sapatos e chapéus pela rede mundial de computadores. “Os produtos brasileiros provavelmente ficaram de fora deste mercado em expansão”, aposta Chadad.

Portos brasileiros

O projeto também vai ajudar na fiscalização dos portos e aeroportos. “A falta de normas estimula o contrabando e a pirataria”, argumenta o presidente da Abravest. Ele diz que os impostos equivalem ao tamanho das peças e a falta de um padrão acaba lesando aos cofres públicos. Hoje, um guia de importação pode informar que os contêineres trazem roupas infantis mas, na verdade, são roupas para adultos.

O projeto Padrão de Tamanhos da Abravest está em fase de análise técnica na Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e no Ministério da Ciência e Tecnologia desde 2002.