Planos de saúde: ruim com eles, pior sem eles

Planos ainda são a melhor alternativa para quem não quer depender da rede pública de saúde

Publicidade

SÃO PAULO – Quem tem plano de saúde no Brasil sabe que isso não é garantia de bom atendimento em hospitais, nem agilidade para a marcação de exames.

No entanto, mesmo que a qualidade dos serviços e as mensalidades estejam longe do ideal, ainda são a melhor alternativa para quem não quer depender da rede pública de saúde, nem pode pagar preços bem altos por tratamentos e procedimentos particulares.

Desse modo, avaliamos, mais uma vez, alguns dos planos oferecidos pelas 25 maiores operadoras do país para indicar aqueles que oferecem a melhor relação custo-benefício com base em quatro perfis de usuários.

A mensalidade de um plano razoável para um idoso não sai por menos de R$ 1,1 mil e que a diferença de preços entre operadoras para uma família de três adultos pode superar os 70%.

Além dos custos, nossa avaliação também inclui as condições gerais dos contratos (exclusões, reembolso, autorizações, carência etc.) e as coberturas hospitalar e ambulatorial de planos de referência – que recomendamos por serem considerados os mais completos do mercado – com cobertura nacional.

Apresentamos as escolhas certas conforme a hospedagem (quatro particular ou coletivo/enfermaria) e o estado onde são oferecidos.

Continua depois da publicidade

Ao apresentar a você um plano de saúde individual ou familiar, o corretor deverá lhe perguntar, em primeiro lugar, se você e seus parentes desejam acomodações em quarto coletivo ou privado, caso precisem ser internados, e se possuem alguma doença crônica, como hipertensão.

A partir daí, você deverá considerar outras necessidades para incluir ou não no plano. Tenha em mente que quanto mais itens forem incluídos (como, por exemplo, reembolso), mais cara ficará sua mensalidade.

O importante, em nosso entendimento, é contar com assistência ambulatorial e hospitalar. 

Se você viaja muito, avalie a cobertura
Antes de bater o martelo, preste atenção às cláusulas de seu contrato, como a abrangência (nacional ou regional) e as exclusões (procedimentos e especialidades que não estão cobertos).

Se você viaja com frequência para outros estados, é aconselhável contratar a cobertura nacional. E vale lembrar que a redução da abrangência implica a diminuição do número de médicos credenciados.

Mais da metade dos planos avaliados possui cobertura em um grupo de municípios (51%), nacional (32%) e estadual (17%), sendo mais bem avaliados aqueles com a maior cobertura geográfica. Porém, nenhum deles cobre atendimento em caso de acidentes ou doenças provocadas por fenômenos da natureza, nem por greves e tumultos A carência também faz parte das condições gerais do contrato e precisa ser bem avaliada.

Trata-se do período que você deve esperar para começar a utilizar o plano de saúde, mesmo estando em dia com a mensalidade. Os prazos máximos determinados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) são de 24 horas para urgências e emergências, 300 dias para partos, 180 dias para os demais casos (como consultas, exames, internações e cirurgias) e 24 meses, em caso de doenças e lesões preexistentes.

Continua depois da publicidade

Em nosso teste, avaliamos a carência para exames de menor e maior omplexidade, como hemograma e ressonância magnética, respectivamente.

Os planos que exigiram os menores prazos tiveram uma avaliação melhor. Praticamente todos estabelecem carência de até 30 dias para a realização de procedimentos simples. A Green Line, por exemplo, ultrapassou esse prazo, exigindo 60 dias para a realização do hemograma.

Para exames de alta complexidade, o destaque ficou para a operadora Assim, que pede 90 dias, enquanto as outras impõem mais de 120 dias. Outros itens importantes são a hospedagem e a autorização para procedimentos, como exames e cirurgias. Muitos consumidores se queixam da burocracia imposta pelas operadoras na hora em que pedem permissão para internação, por exemplo.

Continua depois da publicidade

Constatamos que isso realmente acontece, já que, dos 111 planos avaliados, 58% exigem autorização prévia. Desse modo, privilegiamos os que não impõem essa norma. Quanto à acomodação, também receberam notas melhores aqueles que ofereciam quarto privativo em relação aos que ofertam só quarto coletivo (enfermaria).

Constatamos ainda que 88% dos planos não fazem reembolso para casos de internação. Mas, entre os que oferecem, o Platina II Uniplan, da Unimed Paulistana, faz o reembolso de até seis vezes o valor da tabela para procedimentos hospitalares. Já para consultas, 91% não devolvem a quantia paga ao médico.

Por isso, evite consultas particulares, a não ser que seja cliente do plano Platina II Uniplan, da Unimed Paulistana, que devolve até dez vezes o valor de procedimentos ambulatoriais.

Continua depois da publicidade

Você também deve estar atento à taxa de coparticipação dos planos, ou seja, aquele percentual de um exame ou cirurgia que cabe ao usuário pagar, além da mensalidade. Em nosso estudo, 19% dos planos exigem coparticipação, o que consideramos uma desvantagem para o consumidor, pois não há como prever a mensalidade no fim do mês. Esses planos foram encontrados na Amil, Unimed Belo Horizonte e Unimed Campinas. Portanto, avaliamos como melhores aquelas operadoras que não fazem esse tipo de cobrança.

Considere benefícios em farmácias
As vantagens que os planos oferecem, como descontos em farmácias, também devem ser consideradas. Com eles, é possível comprar diversos remédios com preços bem mais baixos.

Por isso, verificamos quais planos garantem esse benefício, mesmo com adesão opcional e cobrança de taxa. A Golden Cross, Unimed Rio, Green Line, Unimed Paulistana e Unimed Fortaleza oferecem o desconto de forma gratuita.

Continua depois da publicidade

Já a Unimed Campinas é a única que cobra um valor adicional. Outro item importante são as copartipações em procedimentos ambulatoriais. Dos planos avaliados, 48% cobraram coparticipação, sendo que as taxas mais altas foram nos planos Unifamília Cooperativo 50% e Uniestadual Família Cooperativo 50% da Unimed Goiânia, que podem chegar a 50% do valor da consulta. Já no plano Unipart Flex 3, da Unimed Belo Horizonte, a coparticipação é de R$ 32 por consulta.