Planilha de controle financeiro funciona? Veja a opinião de especialista

Para que possa ajudar nas finanças, a ferramenta deve ser associada a outras variáveis, segundo especialista

Carla Carvalho

Imagem: Pixabay
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Gastar menos, organizar as finanças e poupar para a aposentadoria ou para alcançar algum objetivo financeiro costuma estar sempre entre as principais metas dos brasileiros. Para auxiliar nessa tarefa, uma das ferramentas mais utilizadas é a planilha de controle financeiro, cada vez mais popular pela quantidade de ofertas disponíveis – pagas, gratuitas, mais simples, mais complexas, padronizadas, adaptáveis, e por aí vai.

Embora seja super útil e recomendada, ela não é o principal passo (nem o primeiro) para quem busca uma vida financeira equilibrada, como alerta a planejadora financeira Clay Gonçalves, CFP pela Planejar. Segundo a especialista, mais importante do que conhecer e listar os gastos, é entender por que eles acontecem.

Autoconhecimento vem antes do controle dos gastos

Para Clay, os gastos estão diretamente relacionados à maneira pela qual as pessoas expressam seus valores diante da sociedade.

“Para começar a ter controle sobre as finanças, a pessoa precisa compreender o que a leva a gastar, pois muitas decisões de consumo estão mais ligadas a necessidades de pertencimento do que básicas”, explica.

Quando não se pensa nesse aspecto, uma planilha de gastos pode ter o efeito contrário: ao invés de ajudar, pode causar ansiedade e afastar o usuário do planejamento financeiro.

“Quem não sabe por que gasta, pode se sentir pressionado por ter que conhecer e controlar os custos. Por isso, o primeiro passo é avaliar as decisões financeiras, para que se possa promover uma mudança de hábitos de consumo consistente”, observa Clay.

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O modelo deve ser adequado a cada realidade

Outro aspecto importante é escolher um modelo de planilha de controle financeiro que faça sentido para o usuário. Se a ferramenta é difícil ou demanda muito tempo para a utilização

“Para que seja eficaz, a ferramenta precisa ser aderente ao conhecimento e à rotina do usuário. Já vi muitas pessoas que insistem em utilizar planilhas que receberam ou baixaram e que não são apropriadas para o seu propósito. Isso gera ansiedade, e elas acabam abandonando o controle financeiro”, diz a especialista

Se a ferramenta é complexa ou demanda muito tempo para a utilização, a tendência é de que a pessoa a deixe de lado. Como alerta Clay, essa pode ser mais uma barreira para organizar as finanças.

“Quando você tem uma ferramenta que está a seu favor, de acordo com sua disponibilidade de tempo para gerenciá-la, ela tende a ser eficaz. Mas antes, é preciso que se faça todo um trabalho de autoconhecimento, para que se consiga tomar as melhores decisões financeiras”, avalia.