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Como e quando começar a ensinar educação financeira para seus filhos

A mesada deve ser administrada de diferentes formas de acordo com a idade dos filhos

Poupança - economia das crianças
(ShutterStock)

SÃO PAULO – Muitos pais sentem dificuldades de iniciar a educação financeira de seus filhos, seja por não saber qual é a melhor maneira de abordar o assunto ou quando é a hora certa de começar a conversar sobre dinheiro. Mas, para a surpresa dos pais, as crianças aprendem desde muito novas a associarem dinheiro com compras.

Para a educadora financeira e criadora do Programa Educação Financeira, Cássia D’Aquino, quem determina a hora de começar a falar sobre dinheiro é a própria criança. “Em torno dos dois anos e meio a criança já se dá conta de que o dinheiro existe, de que ele dá acesso às coisas e de que os pais possuem esse dinheiro”, afirma Cássia. Por isso, quando os filhos começarem a pedir para comprar produtos, já é hora de incluí-los no planejamento da economia familiar. 

Mesada
Uma das formas mais conhecidas pelos pais de introduzir o tema dinheiro na vida dos filhos é oferecendo mesada para eles. No entanto, Cássia acredita que esta é a maneira mais “chata” de ensinar sobre finanças. “Os pais precisam ter consciência de que é preciso dar a mesada no dia certo, trocar o dinheiro em notas de menor valor, para que a criança possa utilizar, saber punir a criança e entender que não basta dar o dinheiro para o filho, é preciso também conversar sobre os gastos”, explica.

Para os pais que ainda assim preferem fazer uso da mesada, Cássia ensina que dos três aos seis anos, as crianças devem receber pouco dinheiro e uma vez por semana. Junto com a “semanada” os filhos devem ter um calendário para que elas possam ir criando a noção de tempo e possam se acostumar com a espera de receber o dinheiro no dia certo. Os pais não devem se esquecer de explicar, de  forma simples, que o dinheirinho que as crianças estão recebendo serve para elas comprarem o que elas querem.

Dos seis aos onze anos já é possível incentivar os planejamentos de curto prazo, mantendo o sistema de semanada. Para realizar o aumento do valor da mesada, a educadora aconselha acrescentar R$ 1 a cada ano de idade, então, se a criança tem oito anos ela deve receber R$ 8.

A partir dos doze anos, os filhos podem passar a receber mesada, e para que haja aumento, os pais devem incentivar as crianças a justificar e contextualizar o porquê ela precisa ter mais dinheiro, desta forma é composto um ambiente de conversa na família, intera os pais dos gastos dos filhos e prepara as crianças para o mercado de trabalho, onde elas precisarão justificar os pedidos de aumentos de salário. 

Cássia lembra que as falências são bem-vindas durante a infância, pois é uma forma de ensinar as crianças do que fazer se o dinheiro acabar antes do tempo previsto. Além de alertar aos pais se os filhos estão recebendo pouco dinheiro, que não cobre todos os gastos, ou recebendo muito dinheiro, a ponto de não conseguirem controlar o orçamento.

Quando os filhos entram na universidade, a educadora acredita ser o momento ideal de parar de oferecer a mesada, pois desta forma incentiva os adolescentes a procurarem um emprego. “O problema não é parar de dar a mesada, o problema é se conscientizar de que os filhos cresceram”, afirma.

Outras opções
Além da mesada, Cássia sugere outras formas de ensinar educação financeira para os filhos. Uma delas é ajudar na hora de fazer supermercado; a preparação começa ainda em casa quando os pais pedem para a criança ficar responsável por um produto, por exemplo, se a criança é responsável pelo sabonete, ela deve verificar se é preciso comprar o produto, precisa garantir que ele estará na lista de compras e quando chegar ao estabelecimento ela deverá pegar o sabonete. Assim ela aprenderá que é importante planejar antes de sair às compras, e evita que a criança faça escândalo na loja, pois ela se concentra em sua responsabilidade, garante a educadora.

Outra opção é planejar alguma viajem que a família irá fazer; os filhos podem ficar responsáveis de ver o preço do hotel e passagens e planejar junto com os pais quais serão os cortes de gastos necessários para realizar o passeio.

Escolas
Muitas escolas oferecem educação financeira em seus currículos, contudo, Cássia acredita que os pais devem se preocupar com outros aspectos da instituição, além da educação financeira. “É importante que os pais estejam preocupados com a formação de um pensamento crítico na criança, com a relação de consumo entre os alunos e o papel da cantina na escola”, explica.

A educadora ainda lembra que a caderneta da lanchonete – onde as crianças consomem e ficam devendo – é uma prática muito comum nas escolas e extremamente danosa, pois tanto os filhos, quanto os pais, perdem o controle dos gastos, além de ensinar às crianças de que não existe problema de criar dívidas.

Crise financeira
Quando a família estiver passando por uma crise financeira, como a perda do emprego de um dos pais, a melhor maneira de abordar o assunto com a criança é explicando a situação e já passar para ela quais medidas serão tomadas e, se for necessário, quais cortes de gastos serão feitos. Cássia lembra que é importante que os pais resolvam os problemas sozinhos, pois discussões e incertezas só deixam os filhos angustiados e atrapalha no entendimento dos mesmos.

 

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