Planejamento sucessório: como alocar bens segundo o perfil dos herdeiros?

Na mesma família, podem ser encontrados herdeiros com diferentes perfis e diferentes níveis de conhecimento

Por  Patricia Alves

SÃO PAULO – Sucessão e herança. É natural que pouca gente se sinta confortável em tratar do tema, mas imagine que você trabalhou a vida inteira, construiu um patrimônio impecável, de sucesso e, mais cedo ou mais tarde, terá de pensar em passar esse seu legado para alguém, certo?

E como fazer isso da melhor maneira possível? De acordo com o sócio de Creuz e Villarreal Advogados Associados, Gabriel Hernan Facal Villarreal, por meio do planejamento sucessório, é possível estabelecer regras para a alocação do patrimônio entre os herdeiros. “Raramente todos os herdeiros desenvolvem um mesmo perfil pessoal e profissional, assim, cada um desenvolve uma forma específica de se relacionar com o dinheiro e patrimônio“, afirma. “Dessa forma, através de uma divisão pensada, é possível fazer a alocação do patrimônio de acordo com o perfil ou necessidade específica de cada herdeiro”, explica.

Diferentes perfis e conhecimento

Segundo o advogado, na mesma família, podem ser encontrados herdeiros com perfis conservadores, arrojados ou até dilapidadores de patrimônio, além de diferentes níveis de conhecimento.

“Podem igualmente existir herdeiros que possuam renda própria e condições de sustento, ao passo que outros podem não dispor de nenhuma espécie de recurso. Além destes, existem também aqueles que não possuem experiência alguma na administração de bens ou que não dominem as diferentes opções de investimentos disponíveis no mercado financeiro”, completa.

O quê, para quem?

Como, então, alocar a cada herdeiro uma parcela que possa efetivamente lhe prover os recursos de que necessita?

Confira as sugestões de Villarreal:

  • Imóveis: para herdeiros que necessitam de renda, mas não sabem administrar dinheiro;
  • Investimentos: para aqueles que têm maior conhecimento do mercado de capitais;
  • Empresas/negócios: para aqueles com maior capacidade administrativa;
  • Seguro de vida: para aqueles mais necessitados (filhos pequenos que ainda necessitam de alguns anos de educação, herdeiros excepcionais ou portadores de deficiência, herdeiros doentes ou que requeiram cuidados especiais).

Planejamento sucessório

Segundo Villarreal, de dois fatores dependem o sucesso de um planejamento sucessório:

  • Deve refletir a vontade de quem planeja
  • Deve ter a aceitação dos herdeiros.

    “Portanto, é importante que quem planeja converse com a família, para que ninguém tenha surpresa e para que todos entendam as razões e os motivos das escolhas”, aconselha o advogado.

    “Em alguns casos, no entanto, pode não ser recomendável partilhar tais informações com algum ou alguns herdeiros em especial, porém é sempre bom poder contar com o de acordo dos envolvidos, evitando, com isso, futuros descontentamentos, disputas familiares e longos litígios judiciais que possam comprometer a disponibilidade do patrimônio”, finaliza.

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