Pix e Desenrola ajudaram a reduzir endividamento dos mais pobres em 2023

Levantamento da MGC Holding mostra os efeitos das funcionalidades na inadimplência da população com menor renda

Maria Luiza Dourado

Pagamento com QR Code (Foto de Tim Douglas/Pexels)
Pagamento com QR Code (Foto de Tim Douglas/Pexels)

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A adesão ao programa de renegociação de dívidas Desenrola, encerrado em 20 de maio, contribuiu para uma redução no endividamento na faixa de menor renda da população, movimento que foi alimentado pelo Pix. É o que mostra o levantamento feito pela MGC Holding, empresa de recuperação de ativos e de apoio a organizações com dificuldades financeiras e operacionais.

O estudo foi elaborado para mapear o comportamento dos devedores de forma a ajustar metodologias e formatos de propostas de acordos e incentivar maior adimplência nas negociações.

O sócio-diretor da MGC Holding, Eduardo Martins, ressalta os 40,6% de acordos (no mercado de recuperação de crédito) para pagamento à vista (com ticket médio de R$ 285,00), comparados com 33,9% de média dos anos anteriores.

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Para a companhia, o resultado do último trimestre de 2023 se deve, além dos ganhos sazonais de fim de ano (como bonificações e 13º), ao programa Desenrola e aos pagamentos com PIX.

O Pix dominou 2023: 57% dos pagamentos foram feitos usando o meio de pagamento instantâneo, contra 43% dos boletos e carnês. Além disso, quem escolhe o PIX para pagar apresenta mais efetividade (regularidade/adimplência) no pagamento do que quem usa o boleto – 89,4% contra 53% dos boletos, afirma o levantamento.

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Entre os que parcelaram suas dívidas, 27% optaram por prazo de até três parcelas, contra 19% em 2022. Segundo a MGC Holding, esse dado mostra que os devedores buscaram liquidar o débito à vista ou em prazos menores.

A pesquisa destacou também a priorização de pagamentos de dívidas vencidas há até dois anos – 28,7% do volume global de renegociações – contra 18% de anos anteriores. Segundo o estudo, esse também é um possível efeito do Desenrola.

Já o valor médio dos acordos tem caído, o que demonstra tendência do devedor a buscar cada vez mais descontos para se motivar a pagar. Chegou a R$ 1.154,10 em 2023, em comparação com R$ 1.338,10 de anos anteriores (queda de cerca de 14%).

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Razões para o endividamento

A pesquisa também perguntou a 144 mil devedores sobre os motivos da inadimplência e desinteresse negocial. O levantamento revelou que 52% alegaram desemprego; 16%, doenças; 21% alegaram patamar elevado de juros; e 11% alegaram outros motivos.

Características da dívida

O estudo aponta para o vilão de sempre como causa para as pessoas se endividarem: o cartão de crédito. Considerando o endividamento médio das famílias, descobriu-se que: 40% das dívidas são com cartões de crédito; 13% com cheque especial; 12% com cartões de lojas; 11% com financiamento de produtos; 15% com créditos especiais (veículos, imóveis etc.).

Mais de 67,8% dos entrevistados alegaram ter pelo menos 50% de sua renda comprometida com cartões de crédito e 32,2% alegam ter 100% da renda comprometida com esse produto.

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A dívida média de quem recebe algum tipo de auxílio, como seguro-desemprego ou auxílios federais, como o Bolsa Família, é maior do que quem não recebe: R$ 1.227,00 e R$ 989,00, respectivamente.

Características dos endividados

Das famílias endividadas, 70% informaram ter renda até 2 salários-mínimos; 15% de 2 a 3 salários; 9% de 3 a 5 salários; e 6% mais de 5 mínimos.

O resultado confirma outra descoberta: 26,9% da base de devedores recebe algum tipo de auxílio. 55,3% dessas pessoas recebem seguro-desemprego, enquanto 36,9% recebem auxílios federais diversos. Esses dados se alinham ao fato de a maioria dos endividados pertencer a classes socioeconômicas mais baixas e alegarem o desemprego como principal razão para o não pagamento das dívidas.

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De outro lado, 75,9% dos endividados que buscam acordos e pagam não recebem qualquer auxílio. Dos que recebem auxílio, apenas 14,6% buscaram liquidar suas dívidas. Os 7,3% que pagaram é de aposentados.

Maria Luiza Dourado

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.