Pirataria: o barato que sai caro

O consumidor deve analisar até que ponto pode valer a pena ceder às tentações dos produtos piratas vendidos nos camelôs, mesmo com os baixos preços

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SÃO PAULO – Passear nas ruas dos grandes centros urbanos pode parecer uma tentação, ainda mais quando se trata dos preços irresistíveis cobrados pelos camelôs por produtos que, na maioria das vezes, não se tem coragem de comprar por causa do preço alto. No entanto, deve-se parar para pensar até que ponto é válido ceder a estas tentações e optar pela compra de produtos piratas.

Produtos manjados no mercado

É claro que não há vantagem alguma em pagar menos por produtos piratas, se também não há garantia quanto ao seu funcionamento, troca ou devolução do dinheiro, sobretudo pelo simples fato de você não receber uma nota fiscal de venda.

Além de trazer riscos de ordem financeira ao consumidor, os produtos piratas podem trazer sérios danos à sua saúde e de sua família, uma vez que a variedade disponível no mercado abrange alimentos, medicamentos, cigarros e preservativos, além de brinquedos, CDs, livros, roupas de marcas famosas, peças de automóveis, entre
outros.

Se você já comprou algum brinquedo para o seu filho nos camelôs, deve ter se sentido seguro ao ver a etiqueta do Inmetro na embalagem. Mas não se anime, porque assim como o produto, este tipo de etiqueta também á falsificada. Quanto às roupas de marca, nem se comenta: basta uma lavagem para descobrir a sua qualidade. O sucesso de vendas nas ruas, no entanto, são os CDs piratas. De fato, estes produtos têm apresentado um preço salgado nas lojas, mas pagar R$ 5 por um CD em branco ou com cantores trocados, não parece tão vantajoso assim.

A má-fé destes falsificadores pode ser notada também nas vendas de produtos beneficentes. O sucesso de venda das camisetas, bolsas, moletons, entre outros produtos da campanha do câncer, por exemplo, exclusiva do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), se estendeu aos “camelódromos”, que ainda garantem ao consumidor a doação de parte da venda para o instituto. Pura enganação.

Saúde do consumidor em risco

Não é preciso ser nenhum agente da saúde para saber o quanto os produtos vendidos nos camelôs podem fazer mal para a saúde e segurança do consumidor. Que são contrabandeados, todo mundo sabe, mas o que algumas pessoas ainda desconhecem é que as substâncias utilizadas em uma série de produtos comercializados são verdadeiros venenos, que podem levar o consumidor à morte.

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É o que acontece no caso dos medicamentos e bebidas, por exemplo, que contêm substâncias como iodo, álcool etílico e até metanol, totalmente nocivas à saúde. Sem contar os cigarros falsificados, uma vez que os fabricantes utilizam teores impróprios proibidos pelo próprio Ministério da Saúde, além de misturarem outros tipos de substâncias nocivas como forma de baratear o custo da matéria-prima.

Outros artigos como os óculos de sol, por exemplo, também prejudicam a saúde do consumidor. Este é um risco bastante sério, uma vez que a exposição aos raios do sol sob estas falsas filtrações dos raios ultravioletas pode provocar o descolamento da retina e conseqüente perda da visão.

Além da saúde, a segurança do consumidor também entra em risco. Comprar peças de automóveis falsificadas, como rolamentos e pastilhas, pode ser tornar um pesadelo, uma vez que os itens são fundamentais à segurança do motorista. É importante ressaltar que estes produtos são mais caros nas lojas, porém muito mais seguros. Afinal, nos exemplos que acabamos de citar a conta de um hospital sairia muito mais cara do que o simples pagamento da diferença de preço.

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Sem o dinheiro de volta

A Fundação Procon-SP alerta os consumidores sobre os prejuízos financeiros que podem ocorrer. O problema reside no fato de que o dinheiro gasto na compra de um produto pirata raramente é devolvido. Como são vendidos por camelôs, não há garantias sobre o produto e muito menos devolução do dinheiro.

O Governo determina normas de qualidade, higiene e segurança a todos os produtos legalizados que estão em circulação no comércio, contudo, esta regra foge aos produtos falsificados, por motivos óbvios. A menos que seja colega do camelô e conheça seu paradeiro, efetuar a troca de um produto é tarefa fora de cogitação. O consumidor corre o risco de trocar por um produto ainda pior, com a desvantagem de não poder provar e muito menos testar o artigo.