Pesquisadores desenvolvem dispositivo que identifica combustível adulterado

Não se sabe quando o sensor, que analisa o álcool e a gasolina na hora do abastecimento, chegará ao consumidor

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SÃO PAULO – O motorista está mais próximo de se proteger contra a venda de combustível adulterado. Pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) desenvolveram um sensor capaz de detectar, segundos após o abastecimento do veículo, a qualidade do álcool ou gasolina utilizado para encher o tanque.

O dispositivo utiliza fibras ópticas especiais fabricadas na Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM). Sem ter a necessidade de ligar o motor, o consumidor precisa apenas girar a chave de ignição para saber se o produto é de qualidade.

Tipos

Segundo especialistas, os tipos mais comuns de adulteração são os seguintes:

  • Muito álcool: o governo permite que até 23% da gasolina seja composta por álcool anidro. Os veículos, normalmente, não sentem diferença até 25% dessa proporção – a partir daí, a mistura começa a prejudicar o motor. Vale lembrar que esse tipo de álcool é vendido sem a incidência de impostos, o que barateia o seu preço final e aumenta os lucros do adulterador;
  • Solvente: nesse caso, são feitas aplicações industriais de mistura de solvente ao combustível;
  • Álcool molhado: o álcool com o qual se abastece o carro é o hidratado. Algumas revendedoras acabam misturando mais água à composição do que o permitido, gerando o conhecido como álcool molhado, que é mais em conta para quem vende, mas prejudica quem compra.

    De acordo com o Jornal da Unicamp, o sensor é capaz de detectar tanto adição extra de álcool à gasolina quanto de água ao derivado de cana-de-açúcar e “componentes estranhos” na gasolina.

    Vantagem

    “A grande vantagem é que esse sistema mede os valores em tempo real. Não é preciso coletar uma amostra para analisá-la em laboratório”, explicou o professor Carlos Kenichi Suzuki, do Departamento de Engenharia de Materiais.

    O docente disse que tecnologia semelhante já existe em veículos bicombustíveis. Esse sensor fica instalado no escapamento para determinar o nível de gasolina e de álcool na emissão dos gases. “O ideal é ter o sensor no momento de entrada do combustível e não apenas na sua queima”, observa.

    Quando chega?

    E a dúvida que fica em todo o motorista: quando será possível ter acesso a esse dispositivo? Na realidade, não existe um prazo específico – é preciso que companhias queiram transformar o sistema em produto de venda.

    “Não é nossa preocupação montar uma ´caixa-preta` para colocar o sensor e comercializá-lo. Para nós, pesquisadores, o sensor de combustível é apenas uma aplicação a mais, dentre muitas, que descobrimos para as fibras ópticas especiais que produzimos”, finalizou Suzuki.