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SÃO PAULO – A segunda pesquisa do projeto Conexões Sustentáveis, divulgada na quarta-feira (23), aponta que grandes empresas que atuam na cidade de São Paulo continuam presentes na cadeia produtiva de crimes ambientais e sociais cometidos contra a Amazônia.
Iniciativa do Fórum Amazônia Sustentável e do Movimento Nossa São Paulo, a pesquisa também relacionou os varejistas e percebeu que matérias-primas obtidas de fornecedores ligados à devastação da floresta e de sua gente tornam-se produtos nas gôndolas de supermercados, lojas de móveis e na construção da casa dos paulistanos.
Três anos após a primeira edição do estudo, o problema está longe de ter solução. Porém, importantes mudanças ocorreram, como os pactos setoriais da pecuária bovina, da soja e da madeira.
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Hoje, mais de 70 companhias estão empenhadas em monitorar suas cadeias produtivas para evitar a compra de produtos ligados a crimes contra a Amazônia.
Produtos do supermercado: soja, carne e madeira
A pesquisa analisou as cadeias produtivas da soja, carne e madeira, e rastreou os impactos na devastação da Amazônia até os varejistas que vendem esses produtos para o consumidor final.
- Soja
Quatro grandes empresas de soja – três multinacionais – tiveram um fornecedor que possui áreas embargadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), no estado do Mato Grosso. Essas empresas agrícolas acumulam R$ 58 milhões em multas por crimes ambientais. - Carne
Em relação à carne, foi verificado que cinco frigoríficos compram animais de um produtor que também teve áreas embargadas pelo Ibama. Devido ao desmatamento irregular, a empresa foi multada em R$ 14 milhões.Alguns produtos dessas empresas são revendidos na capital paulista por grandes redes de supermercados.
- Madeira
Na cadeia da madeira, por sua vez, o fornecedor de móveis para uma grande empresa de produtos populares comprou madeira de um produtor que figura no cadastro de áreas embargadas do Ibama. Ele também já tinha passado pela lista do trabalho escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego.
“A intenção”, diz o relatório, “não é procurar culpados (até porque, em última instância, todos nós, consumidores, somos responsáveis), mas unir esforços para resolver o problema e monitorar a solução”.
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No portal www.nossasaopaulo.org.br é possível ver a relação completa das empresas, quais são os casos de cada uma, a relação com o consumidor e o que diz cada uma delas.
A pesquisa
O principal objetivo dessa investigação é alertar empresas e consumidores sobre a importância de adotar modelos de negócios que não financiem a exploração predatória dos recursos naturais, a exploração desumana de trabalhadores ou que causem danos às populações tradicionais.
É possível produzir na Amazônia sem devastá-la. Obter alimentos e móveis de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente e às comunidades que dele dependem.
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São Paulo continua sendo a maior financiadora da devastação da floresta, por ser a principal consumidora de seus produtos. “Com essa segunda pesquisa […] esperamos contribuir para reverter esse quadro”, finaliza o relatório.