Paulistano usa décimo terceiro para quitar dívidas

Diante os juros cobrados nos financiamentos, os paulistanos optaram por usar o seu décimo terceiro no pagamento de dívidas.

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SãO PAULO – Diante dos juros exorbitantes cobrados na maioria dos financiamentos, os paulistanos optaram por usar o seu décimo terceiro no pagamento de dívidas, na tentativa de começar o ano novo sem dívidas, deixando as compras de Natal e férias de verão em segundo plano. Pelo menos é isto que indica estudo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que indica um forte aumento nos cancelamentos do Serviço de Recuperação de Crédito no mês de dezembro.

Pagamento de carnês em atraso aumentou quase 29%

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) registrou um recorde na redução de inadimplência em dezembro de 2001. Segundo levantamento da empresa o número de processos para limpar o nome aumentou 28,8% em relação ao mesmo período em 2000. Isto significa que a maioria das pessoas resolveu utilizar o décimo terceiro para regularizar suas dívidas, quitando os saldos devedores, o que resultou em cerca de 276 mil protestos cancelados. O último recorde havia sido registrado em maio de 1999, quando foram computados cerca de 256 mil cancelamentos de protestos por inadimplência.

No dia 20 de dezembro, data em que as empresas pagaram a segunda parcela do décimo terceiro, cerca de 39 mil pessoas procuraram as empresas de créditos, lojas e entidades para quitar dívidas. Segundo o presidente da ACSP, Alencar Burti, o resultado obtido no final do ano passado sugere que o brasileiro é bom pagador, mas ainda está aprendendo a viver nos limites de seu orçamento.

Inadimplência líquida cai, mas deve voltar a subir

Apesar da decisão da maior parte dos paulistanos de quitar dívidas antigas, o número de carnês em atraso aumentou de 11,9%, com cerca de 306 mil registros no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Entretanto, embora represente uma alta ainda está abaixo da média de 2001, que ficou em 16,8%. Contudo houve uma queda na inadimplência líquida medida como a diferença entre os registros recebidos e os cancelados dividida pelas consultas ao SPC dos últimos três meses.

A queda na inadimplência líquida reflete a preocupação do consumidor quanto aos altos juros cobrados, e o fato de que vários varejistas ofereceram descontos e facilitaram a quitação das dívidas de forma que o consumidor pudesse voltar às compras para as festas de Natal. O economista lembrou que a inadimplência tende a subir nos primeiros meses do ano em decorrência das compras de final de ano e maiores gastos no início do ano.

Consultas ao crediário caíram 4,9%

Segundo a ACSP, em dezembro de 2001 praticamente não houve aumento nas vendas de final de ano, quando comparado com o mesmo período em 2000. O número de consultas ao crediário, que pode ser visto como um indicador do nível de vendas à prazo, caíram 4,9% em dezembro. A queda sugere que o paulistano evitou entrar em novos financiamentos dando preferência ao pagamento à vista, como, aliás, confirma o aumento nas consultas ao UseCheque que sinaliza as vendas à vista e aumentaram 5,4% no mesmo período.

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Para o presidente da ACSP, esta tendência já era esperada uma vez que as compras à prazo em geral envolvem compra de bens de valor mais elevado como eletro-eletrônicos ou eletrodomésticos, enquanto as compras à vista envolvem produtos mais baratos, como roupas.

Pesquisa InfoMoney confirma tendência

Vale lembrar que a InfoMoney, em sua pesquisa de final de ano pode confirmar esta tendência, já que 42,73% dos usuários que responderam a enquete declararam intenção de usar seus décimo terceiro para saldar dívidas em atraso. Nosso usuário também indicou intenção de investir em ações (16,36%) e fundos (15,45%) e somente depois a intenção de consumir, comprando presentes de Natal (14,55%). O restante dos usuários optou pelo conservadorismo e afirmou que iria aplicar o dinheiro na poupança (10,91%).