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Parcela de corretores dedicada à venda de seguro de vida individual é baixa

Apenas 30% dos 69 mil corretores ativos do país se dedicam a esses produtos, cobertura precisa aumentar

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SÃO PAULO – O papel dos corretores no crescimento do mercado de previdência e seguro brasileiro não pode ser esquecido. Ainda que boa parte da venda de seguros seja efetuada atualmente através de agências bancárias, o próprio setor reconhece que esta tendência deve mudar com o desenvolvimento do mercado.

Para isso, entretanto, o mercado terá que se preparar, pois o número de corretores ativos no país é baixo, como indicam as estatísticas da Fenacor (Federação Nacional dos Corretores de Seguros). Pior ainda, esse número caiu quase 20% na comparação com 2002, baixando de 78 mil ao final daquele ano para 64 mil ao final do ano passado. Desde então o número de corretores voltou a subir e se encontra em cerca de 69 mil.

Cobertura é muito baixa

Se compararmos esse número com relação ao total da população estimado, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que se verifica é que o número de habitantes cobertos por corretor é excessivamente alto.

Segundo o IBGE em julho deste ano a população brasileira era de 181,581 milhões de pessoas. Portanto, se tomarmos como base apenas os corretores ativos, isso equivale a 2.840 habitantes por corretor. E isso inclui o total de corretores, independente de ramo de atuação (vida ou não vida) ou tipo de cliente (individual ou corporativo).

Entre individuais, maioria cobre não vida

Se analisarmos apenas aqueles dedicados à venda de seguros individuais, que respondem por quase 65% do total de corretores, a situação é ainda mais dramática, com uma média de um corretor para cada 4.046 brasileiros. Em termos de tipo de cobertura o que se constata é que 43% dos corretores se dedicam ao ramo vida e 57% aos demais ramos de seguro.

Com base nestes dados, o que se verifica é que cada um dos 21.291 corretores especializados na venda de seguro de vida para indivíduos seria responsável por mais de 8.500 brasileiros. Por sua vez, a cobertura no ramo não vida é um pouco melhor, com um corretor para cada 7.700 pessoas.

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SP tem maior número, mas RJ melhor cobertura

Na análise regional, o que se constata é que São Paulo é o estado com o maior número de corretores de seguros na ativa, um total de 27.762, dos quais cerca de 27% se dedicam ao ramo vida individual. Esse número fica abaixo, portanto, da média nacional para o mesmo ramo, que é de 30%. Assim, em termos de ramo vida individual a cobertura do Estado de São Paulo é de um corretor para cada 5.348 habitantes.
A situação no estado do Rio de Janeiro é um pouco melhor, com cerca de um terço dos 15.204 corretores do Estado se dedicando ao ramo vida individual, o que implica em uma cobertura de um corretor para cada grupo de 4.250 habitantes.

Formação e reciclagem

Em Minas Gerais, terceiro Estado em termos de número de corretores, com 5.452 profissionais dedicados à venda de seguros, cerca de 35% desses profissionais se dedicam ao ramo vida individual, mas mesmo assim a cobertura é baixa com cada corretor deste ramo sendo responsável por cerca de 10.000 pessoas.

O Estado de Santa Catarina é o que tem a menor parcela de corretores dedicados ao ramo vida individual. Dos 5.774 corretores do Estado, apenas 20% se dedicam ao ramo vida individual, o que implica em uma cobertura de um corretor para cada grupo de 12.105 habitantes.

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Diante da necessidade do mercado de manter as altas taxas de crescimento, ao mesmo tempo em que investe na maior sofisticação dos produtos, faz-se necessário o aumento do número de corretores especializados neste ramo. Afinal, à medida que aumentar o grau de sofisticação dos produtos, deve crescer também a necessidade de se usar os corretores como canal de distribuição destes produtos.

Ainda que a reciclagem de profissionais que atuam em outros ramos pareça, em um primeiro momento, a saída mais fácil, ela não é necessariamente a mais recomendável, já que a venda de seguro de vida exige conhecimentos distintos do que a venda de produtos de outros ramos. Por mais custoso e lento que possa ser, o caminho ideal seria o de investir na formação de novos profissionais, o retorno virá na forma de vendas mais eficientes e menos volatilidade na carteira das seguradoras.