Concorrência

Para EuroMoney, Banco XP pode ter impacto destruidor sobre bancões

José Berenguer, que lidera o Banco XP, falou à revista sobre o tamanho "inacreditável" da oportunidade e sobre as principais estratégias da instituição

(Vivian Koblinsky/Divulgação)

SÃO PAULO – Os bancos brasileiros já se acostumaram com a competição das fintechs – mas o Banco XP pode elevar essa disputa a um nível inédito no país. Não seria apenas disrupção, mas a destruição do sistema bancário como o conhecemos. A análise foi feita em reportagem da Euromoney, revista inglesa especializada em finanças e negócios criada em 1969.

Para a Euromoney, o Banco XP já nasceu com algumas vantagens. Uma delas é o fato de fazer parte da XP Inc. – grupo que reúne marcas como XP Investimentos, Clear, Rico e Xpeed, além do InfoMoney. A marca por trás da instituição, diz a revista, já é “forte, conhecida e bem avaliada”, e tem 2,8 milhões de clientes com R$ 600 bilhões em ativos sob custódia.

O banco também está sendo lançado num momento em que o Banco Central tem analisado e regulamentado inovações no sistema financeiro. Foram lançadas, por exemplo, novas categorias de instituições financeiras – como a Sociedade Direta de Crédito (SCD) e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP) – e funcionalidades como o sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Além disso, o Open Banking, conjunto de regras e tecnologias que vai permitir o compartilhamento de dados e serviços de clientes entre instituições financeiras por meio da integração de seus respectivos sistemas, está sendo implementado.

Outra vantagem, segundo a Euromoney, é o fato de a nova instituição bancária ser liderada por José Berenguer, que foi CEO do JPMorgan no Brasil e é um dos “banqueiros mais conhecidos do país”. A estratégia será aprofundar o relacionamento com clientes atuais da XP Inc., mais do que garantir que o Banco XP seja lucrativo de forma independente.

“Queremos usar o banco para ampliar a penetração na nossa base. Não vemos os produtos regulares, como conta corrente e pagamentos, como lucrativos o suficiente para se sustentarem sozinhos. Essa iniciativa será para conversar com clientes, perguntar se eles estão felizes com a XP e se podem concentrar tudo o que têm conosco”, afirmou Berenguer à Euromoney.

“Eles não precisarão ter conta em outro banco. Poderão fazer pagamentos e receber crédito conosco. O objetivo é ser melhor, mais leve, mais eficiente em custo e gerar uma melhor experiência do usuário.”

Berenguer cita o Pix como um exemplo da tríade simples, barato e eficiente, que ele valoriza: o sistema de pagamentos instantâneos custa às instituições bancárias uma fração dos meios de pagamentos anteriores. Essa redução de taxas poderá ser repassada aos clientes do Banco XP, afirmou Berenguer.

Para o executivo, o fato de a XP Inc. ter começado do zero gera uma vantagem competitiva. “Os sistemas dos bancos tradicionais se baseiam em Cobol [linguagem de programação]. Esses softwares antigos têm múltiplas camadas de produtos, o que significa que os bancos têm de criar integrações entre todas essas camadas e a nova plataforma digital.”

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Berenguer contou à Euromoney que estava transacionando por um sistema bancário tradicional e notou lentidão nas respostas – o que atribuiu a um pico de demanda, por ser uma sexta-feira.

“O tamanho da oportunidade é inacreditável. Nunca vi algo parecido, por causa da transformação no mercado financeiro por meio da tecnologia”, afirmou Bereguer. “A digitalização da indústria financeira é irreversível.”

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