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Para Citi, quadro fiscal dos países desenvolvidos é o pior da história

Indisciplina, gastos na crise e menor arrecadação explicam cenário; à frente, contração fiscal e baixo contágio para emergentes

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SÃO PAULO – “As finanças públicas na maioria dos países avançados industriais está em um estado pior do que em qualquer momento desde a revolução industrial, exceto em períodos de guerra”.

A afirmação inicia relatório do Citi sobre as dívidas soberanas, no qual discorre sobre a insustentabilidade da trajetória das políticas fiscais, bem como avalia meios para contê-las e lista os porquês de tanta dívida.

Melhor dos piores
Como exemplo da situação preocupante, o banco cita o caso da Alemanha – vista como saudável perto de seus vizinhos. A maior economia da Europa vê dívida bruta pública de 77,4% do PIB (Produto Interno Bruto), além déficit fiscal de 3,3% em relação ao PIB.

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O tratado de Maastricht, assinado para a criação da UE (União Europeia) indica que as taxas devem ser de até 60% e 3%, respectivamente. “Hoje em dia, o ‘melhor pão’ pode ser considerado como o mesmo cão que ontem apenas servia para se enquadrar nas piores situações fiscais”, completam os analistas.

Três raízes
O Citi encontra três raízes para explicar os problemas fiscais. A primeira se refere ao comportamento (e certa indisciplina) pró-cíclico das autoridades fiscais durante o fim de 2000 até meados de agosto de 2007.

Já a segunda razão se revela como uma decorrência dos custos fiscais diretos da crise financeira, através de resgates a corporações falidas, como o socorro à AIG e às financiadoras de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.

Quanto ao terceiro motivo, a recessão que se iniciou em 2008 e permaneceu até o final do último ano enfraqueceu a arrecadação dos governos, vide a redução do PIB. Além disso, encaixam-se no contexto recessivo os maiores gastos com seguro-desemprego.

Contração vem aí
Apesar do panorama negativo atual, o Citi avalia que a Zona do Euro poderá emergir mais forte da crise. “Isso requere a criação de uma ‘Europa fiscal’ que consistirá de: (1) seguros aos fundos mútuos (via um Fundo Monetário Europeu) e; (2) um acordo para recapitalizar instituições financeiras”, completam os analistas.

Para o Citi, todos os países avançados industriais com posições fiscais insustentáveis terão que contrair sua política fiscal, antes ou depois. Nesse sentido, os analistas acreditam em contenção fiscal no próximo ano para a maioria das nações, incluindo Japão, Reino Unido, EUA, Alemanha e França.     

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Emergentes resistentes
Por último, o banco vê baixo risco de contágio nos mercados emergentes, apesar da redução no crescimento da demanda nos países avançados industriais. “Os países emergentes são capazes de manter seu próprio momentum de crescimento”, concluem os analistas.