Publicidade
SÃO PAULO – O índice de inadimplência no financiamento de veículos encerrou o mês de fevereiro em 4,8%. O número representa um crescimento considerável em relação ao registrado em 2004, quando estava em 2,1%, mas, para o presidente da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), Luiz Montenegro, o número ainda não está alto.
“Esse índice ainda é gerenciável, apesar do crescimento”, disse, nesta quinta-feira (16), durante uma palestra no Congresso Consumidor Moderno de Crédito, Cobrança e Meios de Pagamento. Ele lembrou que países mais desenvolvidos estão com taxas mais elevadas do que a brasileira, neste momento. “Com a crise econômica, o prazo médio de financiamento no Brasil caiu para 40 meses, mas em outros lugares estava em 60 meses. Isso gerou uma inadimplência maior nesses países”, afirmou.
Preocupações para o futuro
Segundo Montenegro, o que preocupa o setor e pode aumentar essa taxa é o desemprego. “Existem três fatores que aumentam a inadimplência: a inflação, que está descartada no momento, o desemprego e a euforia de consumo. Mas é a redução de emprego o motivo pelo qual acreditamos que exista risco de falta de pagamento dos financiamentos”, considera.
O presidente da Anef também lembrou que a euforia de consumo já chegou a preocupar o setor, em 2007. “Quando isso acontece, chega um carro novo e o consumidor compra, ele vai ao shopping e estoura o limite do cartão de crédito e acaba não conseguindo pagar todas as suas contas. Mas, nesse momento, não é isso que está acontecendo”.
Montenegro falou ainda das mudanças na legislação quanto à forma de cobrança das dívidas e afirmou que isso é positivo para manter o índice de inadimplência em níveis aceitáveis. Segundo ele, há alguns anos, quando o consumidor não pagava as parcelas do financiamento, o carro já era logo tomado, mas, agora, financeiras e empresas procuram negociar de todas as formas o pagamento e recorrem à tomada do veículo apenas em último caso.