Perigo!

Os cuidados que se deve ter com o aumento do limite do crédito consignado

No mês de maio, os juros do crédito consignado estavam em 27,2% ao ano; além disso, inadimplência no semestre é a maior dos últimos três anos

SÃO PAULO – Nesta segunda-feira (13), foi publicada no Diário Oficial da União a ampliação do limite da renda que pode ser comprometida com crédito consignado. A medida provisória aumenta o limite da renda do trabalhador ou aposentado de 30% para 35%, sendo que esse valor só pode ser usado para pagamento de compras com o cartão de crédito. 

Apesar de as taxas de juros das modalidades de empréstimo consignado serem mais baratas que as do cartão de crédito tradicional – segundo dados do Banco Central, em maio, os juros do crédito consignado estavam em 27,2% ao ano, enquanto do rotativo do cartão de crédito chegou a 360,6% a.a. – , o consumidor precisa ficar atento para não se endividar. 

De acordo com o educador financeiro Reinaldo Domingos, uma pessoa que compromete 35% de sua renda com dívidas antes mesmo de receber o salário, só tenderá a ampliar o problema ainda mais, com um efeito bola de neve. 

O último balanço do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) revela que houve uma alta da inadimplência no primeiro semestre do ano, em relação ao ano passado, com uma elevação de 4,60%. Este é o pior resultado semestral dos últimos três anos. 

Veja os cuidados, listados por Domingos, que se deve ter ao optar pelo crédito consignado: 

1- Antes de tomar qualquer crédito, é importante conhecer a sua real situação financeira, ou seja, fazer um diagnóstico financeiro, descobrindo para onde vai cada centavo do seu dinheiro durante o mês, registrando também as dívidas, caso existam;

2- É muito importante não permitir que este empréstimo e que os problemas financeiros reflitam em seu desempenho profissional, pois, será muito mais complicado pagar as contas sem nenhum salário;

3- Antes de buscar pelo crédito consignado, é importante tomar consciência que o custo de vida deverá ser reduzido em até 35%, isto porque a prestação deste será retirada diretamente de seu salário ou benefício de aposentadoria;

4- É muito comum a utilização do crédito consignado para quitação de cheque especial, cartão de crédito e financeiras. Isso é recomendável, porém, a troca simplesmente de um credor por outro, sem descobrir a causa do verdadeiro problema, apenas alimentará o ciclo do endividamento;

PUBLICIDADE

5- A linha de crédito consignado, sem dúvida, se bem utilizada, é importante, porém, não pode fazer parte da rotina de um assalariado ou aposentado, visto que sua utilização deve ser pontual para um objetivo relevante;

6- Tem sido comum o empréstimo do nome a terceiros por parte de aposentados e até mesmo funcionários, mas este procedimento é prejudicial a todos, por isso, não deve ser feito;

7- Caso encontre taxas de juros mais baixas, a portabilidade também deste crédito é necessária. Para os funcionários, o caminho será falar com a área de Recursos Humanos; para os aposentados, as possibilidades são inúmeras, é preciso pesquisar;

8- Mesmo com taxas baixas, a cada ano, os juros representam um quarto do valor total emprestado. Por exemplo, para R$ 1.000 emprestados, é pago R$ 250 de juros por ano;

9- Antes mesmo de assinar o contrato com a instituição financeira, faça uma boa reflexão e analise se este valor, que será descontado diretamente no salário ou benefício, não fará falta para os compromissos essenciais mensais;

10- O crédito consignado ser um grande aliado e não há problema se usado como estratégia para sair de linhas de créditos com juros mais altos, para adquirir algo de grande importância ou ainda em uma emergência. Porém, se apenas utilizá-lo de forma não consciente, pode se tornar mais um grande vilão em sua vida.