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SÃO PAULO – As mulheres representam um grupo uniforme, de milhões de pessoas com crescente poder aquisitivo e alto potencial de consumo, por isso nos últimos anos vem merecendo atenção especial de muitos setores da economia.
A indústria financeira, no entanto, ainda age de forma tímida quando se trata desse segmento de gênero.
Mas as coisas estão mudando. Ao menos lá fora. Bancos e agentes financeiros no exterior já estão buscando compreender como as mulheres compram produtos financeiros com o objetivo de desenvolver abordagens específicas de marketing para atender as necessidades desse grupo. Muitos estão criando áreas, bancos, corretoras ou empresas específicas voltadas para a administração das finanças das mulheres.
E será que vale a pena incomodar-se com essas questões de gênero?
Mulheres como força de consumo
De acordo com a Economist Intelligence Unit (EIU) a resposta é sim!
Não há como ignorar o segmento que já representa a mais importante força consumidora do mundo capitalista. Afinal, como lembra a EIU, os homens americanos são os terceiros em uma lista que traz as mulheres americanas em primeiro e as japonesas em segundo lugar, em potencial de consumo.
Mas não se trata apenas do aspecto de gastos, mas também de receitas: as mulheres já estão produzindo parcela tão significativa dos PIB mundiais, que a inserção delas na força de trabalho é o que está garantindo o posicionamento no ranking das primeiras potências. Este é, sem dúvida, o caso dos EUA, Japão e dos países europeus. Sem a produção das suas mulheres nada de alcançar os primeiros lugares na corrida econômica.
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No Brasil não é diferente
No Brasil não é diferente. Cerca de 20 milhões de mulheres entraram na força de trabalho em apenas duas décadas. A participação feminina na PEA (população economicamente ativa) brasileira já é quase 50%. As brasileiras também produzem parcela significativa do PIB brasileiro, respondendo pela maioria das compras das famílias e encabeçando o orçamento de mais de um terço dos lares brasileiros.
Além disso, o grupo de mulheres empreendedoras é o segmento que mais cresce no Brasil e no mundo, sendo considerado o mais importante grupo impulsionador das mudanças sociais.
É delas mais da metade das “contas-corrente” nos bancos brasileiros e, segundo a BOVESPA, mais de 21% das contas de investidores individuais pessoa-física. São dados impressionantes, sem dúvida.
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Faltam produtos personalizados
O maior grupo demográfico brasileiro – 94 milhões de pessoas – subservido pelo sistema financeiro, já que ainda são raros os produtos ou serviços voltados para esse segmento da população. A prateleira de produtos financeiros específicos para o público feminino – ou que contenham vantagens baseadas nas características próprias do segmento – é limitada a alguns poucos provedores que desenvolveram produtos voltados para a área de seguros pessoais.
Seguros de automóveis são bons exemplos. Baseados em estatísticas que demonstram que as mulheres envolvem-se menos do que os homens em acidentes fatais -ou que resultem em grandes perdas – algumas seguradoras concedem descontos especiais para mulheres.
Ainda na área de seguros, dessa vez de vida, também encontramos no mercado financeiro produtos para mulheres. A particularidade está na ocorrência maior de câncer de mama quando o público é feminino.
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É bem verdade que nenhum desses produtos é exatamente inovador. Ao contrário.
Derivam de antigos produtos reformados para atrair o público feminino. Mas a inovação, ainda que não esteja ocorrendo de forma impactante e criativa, já apresenta resultados muito interessantes para seus negociadores.
Mercado justifica atenção especial
É sempre bom lembrar que em se tratando do mercado financeiro, todos – independentes de sermos de Marte ou de Vênus – precisamos de seguros, previdência, poupança e investimentos.
Mas também é bom lembrar que isso não significa que todas as pessoas querem – ou necessitem – consumir esses produtos da mesma forma, ou com a mesma embalagem ou através do mesmo sistema de entrega.
As mulheres têm necessidades distintas quando nos referimos a qualquer indústria, por isso, não há nenhuma razão para acreditarmos que no sistema financeiro deva ser diferente. Ainda que certa cautela seja necessária quando interpretamos tendências demográficas e sociais, não há como negar a atratividade potencial que esse imenso segmento de mercado representa para a indústria financeira.
Assim, o desenvolvimento de produtos, serviços ou ações promocionais que sejam honestos, éticos e adequados ao público feminino, certamente permitirá importante captura de market share desse segmento de gênero.
Criar produtos – e principalmente serviços – que atendam as necessidades próprias das mulheres certamente é interessante, tanto para as consumidoras, quanto para os negócios das empresas prestadoras de serviços financeiros.
Como fazer a “corte” para a conquista?
É preciso antes responder a famosa pergunta: “o que as mulheres querem?”, tema do próximo artigo.
(*) Eliana Bussinger é a autora do livro “As leis do dinheiro para mulheres”.</small