Opinião: corte da Selic poderá ser menos cauteloso

Última ata da reunião do Copom aponta para um cenário de curto e médio prazos favoráveis para a economia e com inflação sob controle

Publicidade

SÃO PAULO – O fantasma da inflação, que assombrou o País antes do sistema de metas, adotado pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 1999, parece estar longe da realidade brasileira atual. Pelo menos é isso o que mostra a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada na última quinta-feira (1º).

Na reunião, ficou definido que a taxa básica de juros, a Selic, seria reduzida em 0,25 ponto porcentual, para 13% ao ano. Segundo a Agência Sebrae de Notícias, tudo indica que o próximo corte poderá ser menos cauteloso, tendo em vista as ponderações apresentadas no documento de justificativa sobre a decisão, diante de um cenário econômico considerado favorável.

Corte modesto e expectativas

Segundo a ata, o corte da Selic foi mais modesto neste último encontro por conta da aceleração da inflação de dezembro, resultante do aumento das tarifas de transportes públicos. Além disso, incertezas quanto à economia mundial – principalmente a norte-americana – também influenciaram na decisão mais comedida.

No último mês do ano passado, a aceleração de preços ficou em 0,48%, contra 0,31% de novembro. Apesar disso, o cenário mais provável é de que a inflação permaneça evoluindo de acordo com as metas do Banco Central.

O Copom reúne-se novamente nos dias 6 e 7 de março, primeiramente para fazer a já tradicional avaliação de conjuntura e, depois, para estabelecer um possível corte dos juros. A expectativa é que a redução seja de meio ponto.

Desemprego

Conforme a Agência Sebrae de Notícias, além disso a taxa de desemprego nas seis maiores regiões metropolitanas apresentou ligeira queda. O total de desocupados ficou em 9,5% em novembro, ante 9,8% em outubro e 9,6% em novembro de 2005.

Continua depois da publicidade

Todas as seis regiões metropolitanas pesquisadas observaram quedas na taxa de desocupação, com exceção do Rio de Janeiro, onde houve estabilidade. Com isso, a taxa média de desemprego nos primeiros onze meses do ano apresentou alta de 0,2 ponto percentual frente a igual período do ano anterior, a despeito da expansão de 2,4% da População Economicamente Ativa (PEA) no ano.

A massa salarial real aumentou 6,6% de janeiro a novembro de 2006 frente ao mesmo período de 2005, constituindo-se fator importante de suporte ao crescimento da demanda agregada.

Comércio

Também de janeiro a novembro, a expansão do comércio varejista alcançou 6,2%, com destaque para os crescimentos observados nas vendas de móveis e eletrodomésticos (10,9%) e hiper e supermercados (7,6%).