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SÃO PAULO – A proposta de manutenção do crédito consignado, mesmo com a mudança de emprego, pode alavancar a modalidade de empréstimo no Brasil na iniciativa privada, conforme concluiu o Relatório Semanal da Link Investimentos, divulgado nesta segunda-feira (8).
A conclusão foi baseada na informação de que economistas do Banco Central sugerem mudanças na regulamentação do crédito consignado, permitindo que as parcelas dos empréstimos continuem a ser descontadas do salário, mesmo quando o profissional trocar de emprego.
“A medida sugerida pelos economistas ajudaria a impulsionar o crédito consignado na iniciativa privada, uma vez que a permissão para que os empréstimos continuem a ser descontados quando há troca de emprego poderia amenizar o risco para os bancos, alavancando ainda mais o crédito consignado”, diz o relatório.
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Alcance da maturidade
O crédito consignado aos aposentados e pensionistas já alcançou sua maturidade e apresenta taxas de crescimento e de rentabilidade baixas.
De acordo com o vice-presidente da ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Renato Oliva, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é um grande gerador de empréstimos consignados, uma vez que conta com cerca de 20 milhões de segurados em todo o Brasil. No entanto, a demanda vem caindo, a ponto de apresentar redução de 60% na produção de novas operações desde dezembro do ano passado.
Para se ter uma idéia, de novembro a dezembro, foram detectadas 692,2 mil novas operações de empréstimos consignados. De abril a maio, foram registradas 269,8 mil, o que representa uma redução de 61,02%.
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Novo foco
Por causa desta redução de tomada de empréstimo entre aposentados e pensionistas, existe a necessidade de os bancos buscarem o foco em outros públicos, como a iniciativa privada. A baixa penetração do consignado nas empresas é reflexo da alta rotatividade. Em julho, o estoque de crédito consignado contratado com trabalhadores da iniciativa privada representava 13,8% do total, com um montante de R$ 73,6 bilhões.
O avanço do crédito consignado no setor privado ainda é impedido pelos contratos feitos entre as instituições financeiras e as empresas, que são trabalhosos. “Fazer acordo com as empresas é muito mais difícil do que com um único órgão, como o INSS ou uma Prefeitura”, exemplificou Oliva.
No entanto, o presidente da ABBC afirmou que, no setor privado, o crédito consignado “veio para ficar”. Pode-se projetar, para este segmento, um crescimento de cerca de 20% ao ano, enquanto, nas demais categorias, a previsão é de estabilidade. O que impulsiona este avanço, mesmo com os entraves burocráticos, são as taxas de juros menores, em relação a outras modalidades de crédito, e o fato de o pagamento ser descontado direto da folha de pagamento.