OMS eleva nível de risco de pandemia e farmacêuticas entram em estado de alerta

Organização eleva classificação para um degrau abaixo de alerta máximo; fabricantes de vacina já foram contatadas pela entidade

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SÃO PAULO – A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou nesta quarta-feira (29) que o risco de uma pandemia de influenza é “iminente” e solicitou aos países e às companhias farmacêuticas para que se mantenham em alerta e se preparem para um agravamento da situação.

O organismo elevou nesta tarde a classificação da epidemia de gripe suína para o nível 5, próximo de pandemia e um degrau abaixo de seu alerta máximo. Em comunicado, a OMS afirmou que o “caso continua a evoluir rapidamente”. De acordo com o órgão, é o segundo aumento no nível de alerta somente nesta semana.

“Todos os países devem acionar neste momento seus planos contra pandemias e ficar em alerta para tratar de doenças respiratórias como gripe e pneumonia. As autoridades e populações devem abordar o assunto com calma e de forma racional”, afirmou Margaret Chan, diretora-geral da OMS.

Ela enfatizou que “a grande questão no momento é saber o quanto severa uma pandemia poderia ser”.

Identificação

A diretora-geral da OMS alertou que “o tempo que um país leva para identificar a gripe suína varia. Isso depende da quantidade de laboratórios competentes para fazer tal diagnóstico”, e se comprometeu a elevar a capacidade das equipes para que sejam enviadas a determinadas nações no sentido de colaborar na realização de testes para identificação da gripe suína.

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Farmacêuticas em alerta

Kathleen Sebelius, secretária de Saúde dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira, durante uma conferência em Washington, que “as fabricantes de vacina estão em alerta. Uma vez que o protocolo de teste e de dosagem for terminado, as companhias estarão prontas para produzir o medicamento, caso necessário”.

A Baxter receberá um exemplo do vírus da gripe suína “nos próximos dias”, declarou Chris Bona, porta-voz da Secretaria de Saúde em Deerfield (Illinois, EUA), em declaração à Bloomberg.

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“Estamos em constante discussão com o governo norte-americano sobre como e quando podemos começar a produzir os medicamentos”, afirmou Donna Cary, porta-voz da unidade Sanofi-Pasteur da Sanofi na Pennsylvania.

A britânica Glaxo e a suíça Novartis AG também realizam contatos constantes com órgão reguladores, informa a imprensa internacional.

Produção de vacinas

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A diretora-geral da OMS afirmou que, neste momento, não há evidências suficientes para produzir vacinas em grande escala. “Os países do hemisfério sul e em via de desenvolvimento ainda entrarão no inverno, quando há maior probabilidade de disseminação da doença. Ainda não há necessidade de produzir vacina em grande escala”, disse Margaret Chan.

“Estamos nos concentrando em produzir uma vacina básica para uma possível pandemia. Por isso, já estamos em contato com as companhias farmacêuticas”, acrescentou.

De acordo com o Keiji Fukuda, diretor-assistente da OMS, a produção de vacina contra a influenza para casos sazonais “deverá continuar”.

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Reação mundial

O Japão suspendeu o visto livre para a entrada de visitantes mexicanos em seu território. Países como Austrália, Cingapura e Coreia do Sul estão vistoriando passageiros, enquanto Taiwan recomendou aos seus habitantes que evitem a ida ao México.

Em se tratando das importações, a Coreia do Sul suspendeu a compra de porcos vivos provenientes da América do Norte. Na última segunda-feira (27), a Indonésia anunciou que exterminará por precaução todos os produtos suínos importados do Canadá, México e Estados Unidos.

A China, maior consumidora de carne de porco do mundo, também baniu a compra de produtos desta natureza que vindos da América do Norte.

Turismo deve continuar

A OMS não impôs restrições ao turismo por conta da gripe suína. “As pessoas não devem mudar seu comportamento por conta da mudança no nível de alerta. As medidas de proteção permanecem as mesmas. Podemos continuar cumprimentando nossos amigos, mas devemos ter cuidado com a higiene pessoal, protegendo sempre a área bucal para não contrair o vírus pelas vias respiratórias”.

Possível agravamento

O Bird (Banco Mundial) afirmou que uma pandemia gripal pode ser similar a vista em 1918, quando a gripe espanhola matou quase 40% da população mundial (71 milhões de pessoas) e derrubou a economia global, gerando um prejuízo superior a US$ 3 trilhões.

Em se tratando de países pobres, a diretora-geral da OMS afirmou que já conversou com o Bird, embora a quantia que será gasta para conter a disseminação da gripe suína ainda não está definida.

“Não sabemos a necessidade dos países pobres. O mundo entende que o setor privado é o setor privado. No entanto, muitas farmacêuticas estão preparadas para enfrentar esta crise e levarão em conta a questão social”, afirmou Margaret Chan.