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Olimpíadas de Tóquio: veja os “ativos” brasileiros que mais se valorizaram na “Bolsa de Valores olímpica”

InfoMoney e Olimpíada Todo Dia fazem análise de melhores e piores performances brasileiras. Veja recomendações de compra e venda para próximo ciclo olímpico

Por  Olimpíada Todo Dia -

No último domingo (8), encerraram-se os Jogos Olímpicos de Tóquio. Desde antes do início do maior evento esportivo mundial, o Olimpíada Todo Dia, maior portal de conteúdo do Brasil em esportes olímpicos, fechou uma parceria com o InfoMoney para a cobertura dos Jogos. Desde então, a equipe vem monitorando a “Bolsa de Valores Olímpica de Tóquio”, trazendo informações do mundo esportivo com um linguajar mais adaptado ao do mercado financeiro.

Quem acompanhou o trabalho pôde saber de antemão quais os prováveis medalhistas do Brasil no dia, através da Carteira Olímpica, e entendeu que a mesma volatilidade encontrada no mercado financeira é vista no evento. Muitos atletas favoritos performam abaixo do esperado, e veem seu “valor de mercado” diminuir. Outros surpreendem e explodem na bolsa, tal qual uma small cap. Na carteira, acertamos na escolha de Ítalo Ferreira sobre Gabriel Medina, mas também erramos ao optar pelo vôlei masculino, por exemplo.

Passada a realização dos Jogos, é hora de fazer um balanço final para o Brasil. E assim como é feito mensalmente no InfoMoney, traremos aqui os “ativos” olímpicos brasileiros que mais se valorizaram e os que mais perderam valor durante esses 14 dias. Em suma, as maiores altas e maiores baixas olímpicas do país.

Se traçássemos um paralelo da participação do Brasil na Olimpíada com o índice Ibovespa, poderíamos dizer que os investidores estariam sorrindo de orelha a orelha. Isso porque o Brasil bateu todos os recordes possíveis, mesmo em um ciclo olímpico no qual o investimento caiu de maneira drástica desde o fim dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Isso seria, na realidade do mercado, como se, ao final de 2021, o Ibovespa batesse 140 mil pontos com 90% da população vacinada com duas doses contra a Covid-19.

Em Tóquio, o país fez sua melhor participação da história dos Jogos. Ao conquistar 21 medalhas, bateu o recorde estabelecido no Rio de Janeiro há cinco anos (lá, foram 19 no total). Além disso, igualou recorde total de número de medalhas de ouro, com sete ao todo. A campanha de 7 ouros, 6 pratas e 8 bronzes colocou o Brasil na 12ª colocação no quadro geral de medalhas, melhor posição em todas as participações verde-amarelas.

Assim como ocorre no mercado financeiro, nem todos os ativos olímpicos brasileiros se valorizaram nessa subida histórica nos Jogos Olímpicos. Houve modalidades que deixaram a desejar, mas cujo desempenho abaixo do esperado foi compensado por outros esportes que entregaram bem mais.

Trazemos abaixo aqueles ativos que explodiram e vivem sua máxima histórica na bolsa, e outros que estão na luta para render mais que o CDI. Durante três dias, listaremos os ativos olímpicos que tiveram uma supervalorização; os que se valorizaram e desvalorizaram pouco; e aqueles que tiveram desempenho bastante fraco. Começaremos com as maiores altas:

Maiores Altas

Boxe

Se todos os esportes brasileiros estivessem listados em bolsa, o investidor que apostou alto no boxe até o início da modalidade nos Jogos Olímpicos de Tóquio teria feito grande fortuna hoje. Sem o alarde de esportes olímpicos tradicionais como vôlei, futebol, vela e judô, além dos estreantes skate e surfe, que a mídia já noticiava que traria alegrias ao país, o boxe foi comendo pelas beiradas e se tornou a principal modalidade do Brasil nas Olimpíadas.

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Apenas sete atletas se classificaram para os Jogos. Eles, no entanto, foram responsáveis por trazer três medalhas (uma de ouro com Hebert Conceição, uma de prata com Bia Ferreira e uma de bronze com Abner Teixeira). Além disso, dois outros atletas foram derrotados apenas nas quartas de final (sendo um deles com um resultado bastante controverso). De longe, foi a melhor campanha da história do boxe, superando Londres 2012 (uma prata e dois bronzes) e a Rio 2016 (um ouro).

Se formos fazer uma análise marco que explique o sucesso boxe, veremos quatro pilares: Trabalho, organização, dinheiro bem investido e talento.

Depois do bronze conquistado por Servílio de Oliveira na Cidade do México, em 1968, o país ficou longos 44 anos sem pódio. Mas a partir de Londres 2012, o cenário mudou completamente e a modalidade se tornou uma das que mais conquistam medalhas. Com as três obtidas em Tóquio, o esporte chega a sete medalhas nas últimas três Olimpíadas, número inferior apenas ao do judô, que ganhou nove no mesmo período.

Se fosse um ativo listado em bolsa, a recomendação seria de compra para o boxe, ainda que o ativo viva sua máxima histórica. A existência de uma seleção permanente, a chegada de novos talentos através de projetos sociais, a juventude da seleção atual e a exposição que o esporte teve na mídia após a Olimpíada são fatores que garantiriam o sono do investidor.

Tênis

Se o tênis brasileiro fosse listado em bolsa, o investidor que tivesse optado por colocar grande volume de capital no esporte antes das Olimpíadas estaria hoje milionário. O boxe ainda teria recomendação de compra por parte dos melhores analistas, mas o tênis não.

A medalha do tênis não só foi a mais inesperada da Olimpíada, como também a mais surpreendente em toda a história do país na história dos Jogos. Luisa Stefani e Laura Pigossi só participaram por conta de desistências de duplas mais bem ranqueadas e receberam o convite para estar no torneio de Tóquio uma semana antes de seu início.

A esperança do tênis brasileiro estava com os experientes Bruno Soares e Marcelo Melo, que, por duas vezes, caíram nas quartas de final olímpica. Bruno, no entanto, sofreu apendicite a caminho do Japão e ficou de fora dos Jogos. Se estivéssemos pensando na bolsa olímpica, a recomendação de venda para o tênis àquela altura seria mais do que óbvia.

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Luisa e Laura, no entanto, surpreenderam a todos. Foram ganhando das cabeças de chave, enfrentando sempre tenistas experientes e de destaque no cenário internacional. Isso tudo sem o alarde da grande mídia. O torneio de duplas do tênis feminino só teve transmissão da televisão brasileira na partida na qual a medalha de bronze foi disputada. Nem nos muitos sinais fornecidos pelo Comitê Olímpico Internacional e retransmitidos pelo Globoplay foi possível assistir às brasileiras. Ou seja, o investidor que seguiu apostando na modalidade não só obteve grandes retornos, como também surfou a onda praticamente sozinho.

Na semifinal, as duas chegaram a abrir 4 a 0 no primeiro set, mas tomaram a virada. Sem se abalar, voltaram à quadra um dia depois para encarar uma ex número 1 do mundo e campeã de Grand Slams de duplas femininas e de duplas mistas (inclusive com Bruno Soares). De virada e salvando quatro match points, as duas levaram uma épica medalha de bronze.

Apesar dessa heroica conquista, se o tênis estivesse listado na bolsa brasileira, a recomendação seria neutra. Luisa Stefani é a melhor tenista do brasil atualmente – tanto que já voltou a competir e foi vice-campeã do WTA de San Jose, na California – , mas não faz dupla com Laura Pigossi e sim com atletas estrangeiras. No masculino, os grandes nomes seguem sendo Marcelo Melo e Bruno Soares nas duplas, mas os dois se encaminham para a reta final da carreira.

Nos torneios individuais, não há nenhum nome de grande destaque e, a não ser que um “novo Guga” ou uma “nova Maria Esther Bueno” exploda nos próximos anos, o Brasil, na teoria, dificilmente repetirá a medalha olímpica em Paris. O ponto positivo é que a dupla Laura e Luisa mostrou que teorias e previsões não ganham absolutamente nada.

Skate e Surfe

Modalidades estreantes nos Jogos Olímpicos, skate e surfe foram fundamentais para que o Brasil quebrasse o recorde de medalhas. Foram quatro no total somadas (Ouro de Ítalo Ferreira no surfe e pratas de Rhayssa Leal, Kelvin Hoefler e Pedro Barros no skate). Sem elas, a campanha do Brasil seria de 6 ouros, 3 pratas e 8 bronzes, somando 18 totais, número pouco abaixo da campanha do Rio.

Mais do que o número de medalhas, o skate e o surfe caíram no gosto do espectador brasileiro. Modalidades que antes eram vistas como “coisa de vagabundo e maconheiro” ganharam respeito geral por demonstrar valores humanitários e olímpicos. O fato de os skatistas torcerem e aplaudirem as manobras de seus rivais enquanto alguns torcedores urravam na frente da TV para que crianças caíssem do skate diz muito sobre o espírito esportivo.

A valorização do ativo não atinge a do boxe, no entanto. Era esperado um resultado um pouco melhor. No surfe, o quarto lugar de Gabriel Medina (que teve bastante polêmica em relação à arbitragem) e a eliminação nas quartas de final de Tatiana Weston-Webb só não foram frustrantes porque Ítalo Ferreira levou o ouro. No skate, Letícia Bufoni, Luizinho e Pâmela Rosa (essa última, machucada) tinham condições de chegar ao pódio.

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Ainda assim, o resultado foi excelente e o interesse pelas modalidades deve crescer ainda mais pensando nos Jogos de Paris. Se o investimento se mantiver, o Brasil deve chegar à capital francesa com o objetivo de ampliar o já excelente desempenho. É importante dizer que a tendência é que outros países sem tradição na modalidade invistam em skatistas visando os Jogos de Paris 2024 e Los Angeles 2028. O Brasil, portanto, terá o dever de seguir apostando na modalidade, para que não ocorra o mesmo que houve com o vôlei de praia.

Natação

No mercado, muitos analistas recomendam que o investidor segure um ativo com preço descontado sabendo que, no longo prazo, o prejuízo pode virar lucro. No mundo esportivo, isso seria perfeitamente aplicável a natação.

Há cinco anos, o Brasil saía das piscinas do Rio sem uma medalha pela primeira vez desde os Jogos de Atenas 2004. A frustração foi grande, principalmente se levarmos em conta que nadar diante da torcida faz grade diferença.

Se fosse um ativo, a natação provavelmente seria abandonada pelo investidor impaciente. Aquele que apostasse no longo prazo, no entanto, teria a recompensa em Tóquio. No Japão, foram conquistadas três medalhas (uma de ouro com Ana Marcela Cunha na maratona aquática e duas de bronze – Fernando Scheffer nos 200m livre e Bruno Fratus nos 50m livre). Foi a melhor participação da história da modalidade.

Indo um pouco além das medalhas, vemos que 3 recordes sul-americanos foram batidos e que mais de 60% dos nadadores fizeram suas melhores marcas na temporada nas Piscinas de Tóquio.

A valorização, no entanto, não foi tão alta quanto a dos três ativos citados anteriormente. Apesar das três medalhas, o número de finais em Tóquio foi inferior ao do Rio (6 contra 8) e a natação feminina deixou muito a desejar. Nenhuma mulher sequer chegou a uma final ou semifinal, nem em provas individuais e nem nos revezamentos.

Se fosse um ativo, a recomendação para a natação seria de compra. Os melhores resultados em termos de tempos vieram de Fernando Scheffer, bronze nos 200m livre, e de Guilherme Costa, único brasileiro a nadar três provas diferentes nas piscinas. Ambos são novos, assim como muitos outros da seleção. Todos estarão mais maduros e experientes em Paris. Ontem, Bruno Fratus confirmou que seguirá na briga pela Olimpíada daqui há três anos.

A preocupação fica por conta da natação feminina, historicamente escanteada e desprestigiada. O ponto positivo é que desde o ano passado, as mulheres formaram um grande grupo que abriga quase a totalidade das nadadoras brasileiras e conta ainda com a ajuda de ex-atletas no intuito de dialogar com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos em busca de melhores condições de treino e competições.

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