Obesidade atinge mais pobres nos EUA, enquanto no Brasil afeta mais ricos

Pesquisas realizadas nos dois países mostram como as disparidades de peso podem estar ligadas à condição social

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SÃO PAULO – Obesidade é um problema sério para países como os EUA, onde um terço dos adultos está acima do peso. Além de ser responsável por boa parte dos gastos com saúde pública, a doença também é uma das que mais mata por lá.

O fenômeno é objeto de estudo de diversos pesquisadores. Levantamento da Universidade John Hopkins constatou a existência de ligação entre a condição social das pessoas e o seu peso.

Foram analisadas pesquisas de representação nacional da maior parte do período compreendido entre 1971 até 2004 para buscar traços comuns entre adolescentes fora do peso com idade entre 12 e 17 anos.

O resultado da pesquisa mostrou que o índice de obesidade é maior nas classes menos privilegiadas. Apesar da associação entre a pobreza e a obesidade soar estranha, a pesquisa conclui que a explicação está no fato de os alimentos mais baratos serem justamente os mais calóricos. Além disso, também contribui o fato de que as famílias mais ricas têm mais condições de investir em alimentação saudável e em tratamento médico adequado.

No Brasil, o contrário

No Brasil, a obesidade também se tornou um sério problema. Para se ter uma idéia, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2002-2003 feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que a doença se tornou mais grave que a desnutrição entre os adultos.

Em uma amostra de 95,5 milhões de pessoas com 20 anos ou mais de idade, a porcentagem daqueles com problemas de excesso de peso era de 40,6%, ou 38,8 milhões, Deste total, 10,5 milhões de pessoas foram consideradas obesas, enquanto a desnutrição atingia apenas 4,0%, ou 3,8 milhões.

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Porém, ao contrário dos EUA, a obesidade é maior entre os mais ricos. Cerca de 20% a 26% dos homens de famílias com renda mensal de até meio salário-mínimo estão fora do peso ideal, enquanto nas famílias com renda superior a cinco salários-mínimos, o número cresce para 56,32%. A obesidade atinge um porcentual mais elevado (13,5%) dos homens com renda superior a cinco salários.