Novo instrumento de pesquisa calcula vulnerabilidade social em SP

Formulado pelo Seade, o índice aponta áreas de prioridade para a política pública no estado de São Paulo

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SÃO PAULO – Com o objetivo de levar ao gestor público e à sociedade uma visão mais detalhada das condições de vida de cada município paulista, a Fundação Seade, a pedido da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, criou um novo instrumento de pesquisa: o IPVS (Índice Paulista de Vulnerabilidade Social).

Baseado no Censo Demográfico 2000, o índice identifica áreas geográficas segundo os graus de vulnerabilidade de sua população residente, o que favorece a definição de localidades prioritárias ao direcionamento de políticas públicas. A pesquisa leva em consideração a combinação entre as dimensões socioeconômica e demográfica, classificando o resultado em seis categorias.

Níveis

O grupo mais favorecido do extrato social foi enquadrado pelo IPVS no nível “Nenhuma Vulnerabilidade”, e é formado por pessoas de alto poder aquisitivo e elevada escolaridade. Os responsáveis dessas famílias geralmente são mais velhos, e há menor incidência de crianças pequenas e de moradores nos domicílios.

Situada na outra ponta da classificação da pesquisa, está o grupo de “Vulnerabilidade Muito Alta”, marcado pela grande concentração de famílias jovens, com baixos níveis de renda e escolaridade. Nota-se também a presença significativa de crianças.

Entre estes dois extremos, o IPVS observa a parcela de “Vulnerabilidade Muito Baixa” (famílias idosas e renda média ou alta); de “Vulnerabilidade Baixa”, que pode ser constituída por famílias jovens e adultas de situação socioeconômica média ou alta. Há também o grupo de “Vulnerabilidade Média” (famílias jovens, de patamares socioeconômicos medianos) e o de “Vulnerabilidade Alta” (núcleos familiares jovens de baixa renda).

Distribuição

Em linhas gerais, o IPVS constatou que 8,5% da população paulista, ou o equivalente a 2,5 milhões de habitantes, está no segmento de nenhuma vulnerabilidade. Enquanto 9,6% do contingente geral, cerca de 3,6 milhões, encontra-se no grupo oposto, aquele de vulnerabilidade muito alta.

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Áreas de vulnerabilidade baixa ou muito baixa equivalem a 45,4% dos setores analisados pelo censo, representando 17 milhões de pessoas, das quais 98,7% residentes no perímetro urbano dos municípios paulistas.

É interessante notar que a grande maioria (99,5%) da parcela em melhores condições de vida pertence aos núcleos urbanos, mesmo espaço que abriga 90% das áreas em piores situações.

O setor rural, por sua vez, tem 92% de sua população residindo em espaços considerados de vulnerabilidade média, alta ou muito alta, o que sugere um certo descompasso no desenvolvimento entre campo e cidades.

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Conclusões

Pelos números do IPVS, nota-se que as áreas mais ricas do estado estão localizadas quase que exclusivamente em municípios com mais de 100 mil habitantes (95,5%), comprovando, assim, uma grande concentração de riqueza. Para se ter uma idéia, as cidades de São Paulo, Campinas, São José dos Campos e Ribeirão Preto compreendem, sozinhas, 70% dos espaços geográficos de nenhuma vulnerabilidade.

Palco de uma maior incidência de desigualdade social, estes mesmos centros urbanos compreendem também as áreas mais críticas: cerca de um quarto das regiões de vulnerabilidade muito alta está na capital paulista.