Nova alta da Selic aumenta juro ao consumidor; como isso impacta você?

Colocando as contas na ponta do lápis, um consumidor que utiliza R$ 3.000 por mês no cartão de crédito pagará ao final do ano R$ 324,60 apenas de juros

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SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária) surpreendeu o mercado e decidiu no encontro encerrado na noite da última quarta-feira (3) por elevar a Selic de 11,25% para 11,75% ao ano. Com a elevação de 0,50 ponto percentual, os juros ao consumidor atingiram 103,97% ao ano, contra 103,05% no mês passado. 

“Para o consumidor, essa alta significa que ele vai pagar mais caro no financiamento, cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal”, conta o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira. “Encarecer o juro é uma das alternativas encontradas pelo governo para diminuir a inflação, mesmo que essa decisão afete a economia brasileira, que já está em recessão.”

Oliveira ressalta que os juros mais altos valerão para as próximas compras a prazo, e não para as que já estão sendo parceladas. Este é o caso de compras realizadas no comércio, como o pagamento a prazo de uma geladeira, ou financiamento de veículos e empréstimo pessoal. Já para quem usa o limite do cartão de crédito sentirá na próxima fatura o aumento na taxa, inclusive em compras realizadas antes da elevação.

As tabelas abaixo mostram as taxas de juros nas várias modalidades de crédito ao consumo:

Operação Nova Taxa
(% a.m.) 
Nova Taxa (% a.a.)
Pessoa Física
Comércio 4,69% 73,33%
Cartão de Crédito 10,82% 243,10% 
Cheque Especial 8,54% 167,35%
CDC Bancos
Financiamento de veículos 
1,84% 24,46%
Bancos
Empréstimo Pessoal
3,51% 51,28%
Financeiras
Empréstimo Pessoal 
7,32% 133,44%

Colocando as contas na ponta do lápis, um consumidor que utiliza R$ 3.000 por mês no cartão de crédito pagará ao final do ano R$ 324,60 apenas de juros. “O consumidor precisa ter mais cautela. Além do encarecimento dos juros, a inflação está mais alta e ela corrói a renda do trabalhador. Essa medida é restritiva, o País cresce menos e, com uma economia enfraquecida, pode gerar um aumento na taxa de desemprego no ano que vem. Sem renda, o consumidor acaba na inadimplência”, reitera o diretor da Anefac.

Ele acrescenta que o Banco Central sinalizou para o mercado que essa elevação deve se manter nos próximos encontros do Copom. “O BC sempre aumentou aos poucos a Selic. O aumento de 0,50 ponto percentual mostra que a nova equipe econômica está focada em combater a inflação pelo encarecimento do crédito.”

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Sem pegadinhas nem dívidas: opte pela compra à vista
Além de cautela ao adquirir uma dívida, a melhor escolha agora é optar por compras à vista. “Se não for possível comprar à vista, tente adiar esta compra ou pesquise bem o melhor preço. Se optar pelo crédito, faça pagamentos com prazos mais curtos possíveis”, recomenda Miguel.

O consumidor também precisa tomar cuidado com as manobras do varejo, como o pagamento a prazo “sem juros”. “Isso não existe. Compra a prazo sempre incorrem juros, eles estão embutidos no valor total da compra. Um exemplo é o ‘desconto’ ao pagar à vista. Na verdade, este ‘desconto’ é o preço real do produto”, finaliza o diretor executivo.