Pandemia

“Não há dúvida sobre qualidade da vacina”, defende governo de SP sobre lotes interditados da CoronaVac

Governo de São Paulo também reafirmou o uso da CoronaVac para a dose adicional de vacina contra a Covid em idosos

Governador de SP, João Doria, com caixa da vacina CoronaVac (REUTERS/Amanda Perobelli)

SÃO PAULO — No fim de semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a interdição cautelar de lotes da CoronaVac, proibindo a distribuição e uso de lotes que foram envasados em uma fábrica não aprovada na autorização de uso emergencial da vacina.

Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (8) no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, disse que vem trabalhando com a Anvisa para regularizar esses lotes de vacinas que foram “quarentenados”.

Ele explica que as doses foram produzidas na fábrica da Sinovac, na China, que produz todas as vacinas da farmacêutica, e que foram submetidas ao controle de qualidade do próprio laboratório.

As doses foram interditadas, contudo, porque foram envasadas em uma nova fábrica de envase da Sinovac, que ainda não tinha sido visitada pela Anvisa.

“Isso criou a necessidade de acertar com a Anvisa a certificação dessa nova unidade. Isso está sendo providenciado e os documentos serão enviados”, explicou.

Segundo ele, os documentos devem ser entregues até o fim da semana, permitindo uma liberação do lote.

“Não existe dúvida sobre a qualidade da vacina. Ela foi testada pelo laboratório da Sinovac, na China, que é atestado pela Anvisa, pelo Butantan e pelo órgão que controla a qualidade das vacinas no Brasil. O que existe é um procedimento documental que será acertado em breve”, disse Covas.

Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde, afirmou que todos os lotes das vacinas passaram por um “rígido” controle de qualidade do Instituto Butantan e do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), vinculado à Fiocruz, para que as doses pudessem ser distribuídas.

“Orientamos todos os municípios que receberam as doses que acompanhem o evolutivo desses pacientes nos próximos 30 dias. Nenhum dos pacientes que recebeu esses imunizantes tiveram reações [até o momento]”, diz.

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Com relação aos números da pandemia, Gorinchteyn destaca os efeitos positivos da vacinação, com queda de 7,5% nos casos de coronavírus no estado de São Paulo, de 13,7% nas internações e de 21,8% no número de óbitos.

Uso da CoronaVac na dose de reforço

A aplicação da CoronaVac como dose de reforço em idosos também esteve entre os temas abordados na coletiva desta quarta.

João Gabbardo, coordenador executivo do Comitê Científico, disse que a vacina que estiver disponível será utilizada na terceira dose, independentemente da orientação do Ministério da Saúde, que não aplicará doses da CoronaVac.

Ele reforçou a necessidade de completar o esquema vacinal de adultos que tomaram vacinas da AstraZeneca e Pfizer, utilizando os imunizantes disponíveis para a dose extra.

A afirmação foi reiterada por Gorinchteyn. “Todas as vacinas dadas na segunda e terceira doses incrementam nossa memória imunológica. E é isso que precisamos fazer naqueles idosos e imunossuprimidos que não responderam de forma tão adequada em número de anticorpos — que tendem a ser reduzidos entre 8 e 12 meses. Por isso, precisamos garantir que todos sejam imunizados com as doses que estiverem disponíveis.”

Até o momento, mais de 54 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 já foram aplicadas no estado de São Paulo. Até as 13h40 desta quarta, 54,08% da população com mais de 18 anos já estava com esquema vacinal completo.

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