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O avanço das mudanças climáticas está provocando prejuízos cada vez maiores e pressionando o mercado global de seguros, principalmente em países mais pobres. É o que conclui um estudo da Mapfre Economics, apresentado no final de novembro durante a COP30, em Belém (PA).
O levantamento mostra que mais da metade das perdas econômicas causadas por desastres naturais no mundo não têm cobertura de seguro.
Segundo o relatório, intitulado “Mudanças Climáticas, Riscos Extraordinários e Políticas Públicas”, menos da metade, 48%, dos prejuízos globais registrados durante o ano de 2024 foram devidamente indenizados. O restante, que equivale a cerca de US$ 191 bilhões, ficou descoberto, causando prejuízos a pessoas físicas e jurídicas.
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O relatório aponta ainda que 2024 foi o ano mais quente já registrado, com temperatura média 1,6°C acima dos níveis pré-industriais. O fenômeno El Niño, em intensidade recorde, provocou secas na Amazônia, redução do nível do Canal do Panamá e chuvas extremas em todo o continente americano.
De acordo com o estudo, as perdas globais por desastres naturais chegaram a US$ 368 bilhões em 2024. A maior parte veio de eventos de menor intensidade, mas mais recorrentes, os chamados “riscos secundários”, como granizo, vendavais e enchentes, que são fenômenos da natureza comuns no Brasil.
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“O impacto climático já não é só ambiental, é econômico”, afirma a diretora de sustentabilidade da Mapfre, Fátima Lima.
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Prejuízo é maior em países pobres
A chamada lacuna de proteção, que é a diferença entre o total de perdas econômicas causadas pelas catástrofes e a quantia efetivamente coberta pelos seguros, é mais profunda nos países em desenvolvimento.
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“As mudanças climáticas representam um desafio para a estabilidade econômica e social global e afetam desproporcionalmente as economias emergentes, onde a cobertura de seguros para perdas totais causadas por esses eventos é muito limitada”, afirma Ricardo González García, diretor de Análise e Estudos Setoriais da Mapfre.
A América do Norte e a Oceania apresentam as menores lacunas de proteção do mundo, com 43% e 41% das perdas permanecendo descobertas, respectivamente. Mesmo na Europa, onde o mercado é mais consolidado, quase 70% dos prejuízos ainda ocorrem sem cobertura.
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Já a América Latina e o Caribe apresentam uma das maiores lacunas de seguros do mundo, ficando atrás apenas da Ásia. No continente asiático, apenas 17% das perdas estão seguradas, e na América Latina a proporção é de 19%.
“Isso se deve principalmente à baixa penetração de seguros na região, aliada a fatores como a expansão urbana e demográfica, frequentemente em áreas altamente vulneráveis com infraestrutura limitada de prevenção e alerta precoce.”
Em países como o Brasil, o relatório aponta que o crescimento urbano desordenado, a ocupação de áreas vulneráveis e a falta de infraestrutura de prevenção ampliam o impacto das catástrofes.
Para os especialistas da Mapfre, o avanço do aquecimento global pressiona o setor de seguros de duas formas: eleva o custo das indenizações e torna mais difícil precificar os riscos futuros.
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“O seguro é um amortecedor importante, mas precisa estar conectado a políticas de adaptação e prevenção para poder ter estabilidade”, explica Lima.
Redução de danos
Segundo García, reduzir a lacuna de seguros é um desafio complexo que demanda ações coordenadas entre políticas públicas e o setor segurador. Ele destaca a importância das Parcerias Público-Privadas (PPPs) para ampliar a cobertura e compartilhar riscos.
“Também é importante implementar medidas preventivas e de resiliência, integrando o seguro a regulamentações de zoneamento e códigos de construção mais rigorosos para desencorajar o desenvolvimento em áreas de alto risco, e promovendo soluções financeiras inovadoras, como o seguro paramétrico, que pode garantir liquidez imediata após um desastre, entre outras medidas.”
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Na perspectiva de García, a inovação tecnológica com IA (Inteligência Artificial) e Big Data será fundamental para uma avaliação de risco mais precisa e dinâmica.
“Elas podem auxiliar na criação de políticas mais adequadas ao risco e no desenvolvimento de sistemas de alerta precoce que contribuam para a redução dos danos resultantes dessas catástrofes”, pontua o especialista.
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