Morgan Stanley reduz projeções e corta preços-alvo de Redecard e Cielo

Maior competitividade no setor de cartões influencia perspectivas dos analistas em relação ao desempenho das companhias

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SÃO PAULO – O Morgan Stanley reiterou nesta quarta-feira (24) sua classificação underweight – abaixo do desempenho do mercado – para a Redecard (RDCD3) e Cielo (CIEL3). De acordo com os analistas, as recomendações refletem a visão do banco de que os atuais valuations das companhias não incorporam completamente o cenário de perdas de market share e de contração nas margens, uma vez que a competição no setor de cartões de crédito cresce no mercado interno.

A equipe de análise do banco também destacou que o fim dos contratos de exclusividade entre Visa e Cielo, determinados pela nova regulamentação ao setor em junho último, também será um catalisador para o aumento da competitividade no segmento. 

Fraco desempenho em 2009
O desempenho das companhias ao longo do último ano pesou na análise dos analistas. “Apesar da considerável underperformance, ainda acreditamos que a relação entre risco e recompensa não é atrativa”, destacaram. Neste sentido, o Morgan Stanley cortou seus preços-alvo aos papéis das companhias, que passaram a ser de R$ 23 para cada ação da Redecard e de R$ 12,5 para cada ação da Cielo.

“Nós acreditamos que a visibilidade de ganhos é limitada e os riscos aumentam ao passo que a indústria entra em um ambiente de ‘multi-bandeiras’ com players múltiplos. Portanto, gostaríamos de ver pelo menos um potencial upside de 25% em relação às nossas estimativas de preço justo antes de ficarmos mais positivos com estas empresas”, avaliou o Morgan Stanley.

Resultados
O banco também cortou suas projeções para os resultados da Redecard e da Cielo. Para a primeira, os analistas reduziram em 1% suas estimativas para o EPS (earnings per share – ganhos por ação) neste ano e em 21% no próximo. De olho no cenário mais distante, as perspectivas quanto aos ganhos por ação da Redecard entre 2012 e 2015 também sofreram redução, de 30% a 50%.

Já para a Cielo, as projeções de ganhos por ação em 2010  e 2011 caíram cerca de 10% e 32%, respectivamente. No longo prazo, as estimativas para 2012 a 2015 também sofreram queda em torno dos 30% a 50%, segundo informaram os analistas em relatório.

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“Nós estamos levemente mais positivos com o outlook de ganhos por ação da Cielo, uma vez que nós acreditamos que a companhia possui diversas vantagens competitivas sobre a Redecard”, avaliaram os analistas.

Em relação às projeções para as receitas de crédito e débito da Redecard e Cielo, o banco optou por mantê-las inalteradas para 2010, uma vez que as expectativas voltam para a queda destes números apenas a partir de 2011, refletindo a melhor adaptação das companhias ao cenário de maior competição no segmento.