Montadoras terão que explicar termos dos financiamento com juro zero

SDE intima fabricantes a prestarem esclarecimentos sobre a promoção; preço à vista deve ser igual ao do financiamento

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SÃO PAULO – O sonho da maioria dos brasileiros de comprar um carro novo ficou mais fácil desde que as principais montadoras iniciaram suas campanhas de juros zero, em dezembro do ano passado. Como os juros cobrados em outras modalidades de financiamento superam os 100% ao ano, caso, por exemplo, do cheque especial e dos créditos pessoais, a promoção atraiu o interesse de vários consumidores.

Neste mês, as promoções de juros zero voltam a ser divulgadas pelas montadoras. Como emprestar dinheiro sem cobrar juros é prática rara em um ambiente capitalista, as promoções acabaram despertando a atenção do Procon e da SDE (Secretaria de Direito Econômico), que pretendem avaliar se não se trata de propaganda enganosa.

Como a prática de propaganda enganosa não é novidade entre as montadoras, o consumidor precisa tomar bastante cuidado antes de optar por um financiamento a juros zero.

SDE deve intimar montadoras

A Secretaria de Direito Econômico vai intimar as quatro maiores montadoras instaladas no Brasil (Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford) a prestarem esclarecimentos sobre essa nova forma de financiamento sem juros. No ano passado, tanto a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores) quanto a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores) já haviam sido notificadas para prestar mais informações sobre as promoções.

Caso seja comprovado que as montadoras estão praticando propaganda enganosa, as empresas serão multadas em até R$ 3,2 milhões. Os fabricantes de automóveis, por sua vez, culpam as concessionárias por qualquer irregularidade na promoção.

Entrada é de mais de 50%

Dentre as irregularidades identificadas pela SDE está o fato de que as montadoras não enfatizam o fato de que para ter acesso a este tipo de financiamento, o consumidor deve pagar uma entrada superior a 50% do valor do carro. Contudo, as restrições ao financiamento só são mencionadas no final do comercial televisivo, durante uma fração de segundo onde aparecem frases quase ilegíveis devido ao tamanho reduzido da letra.

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O secretário da SDE, Paulo de Tasso Ribeiro, afirmou que abrirá um processo contra as montadoras caso haja indícios de propaganda enganosa, ou mesmo de insuficiência de informações.

Preço à vista deve ser o mesmo

Para o consumidor certificar-se que não está sendo enganado, é necessário que verifique se o preço cobrado à vista pelo automóvel é exatamente o mesmo que terá que pagar caso opte pelo financiamento através da promoção.

Por exemplo, se desejar financiar um carro em doze vezes sem juros, cujo preço à vista é de R$ 20 mil, deverá pagar metade do valor à vista como entrada, R$ 10 mil, e arcará com prestações de aproximadamente R$ 833,33, valor correspondente ao saldo de R$ 10 mil dividido pelos doze meses do financiamento. Caso a concessionária ofereça algum desconto para compra à vista, então isto significa que os juros estão embutidos no valor das prestações e a promoção deve ser considerada propaganda enganosa.