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SÃO PAULO – Apesar de o Brasil consumir cerca de 40% dos remédios da América Latina, ainda existe cerca de 80 milhões de brasileiros que não tem acesso a medicamentos, isto é, mais da metade da população encontra dificuldades para comprar remédios. A afirmação é do diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério do Trabalho, Norberto Rech.
Mesmo com o mercado farmacêutico brasileiro estando entre os 10 maiores do mundo, com um faturamento anual em torno de US$ 10 milhões, segundo o Ministério da Saúde, ainda há milhões de pessoas no país que não têm condições de adquirir um medicamento de que precisa. As informações são da Agência Brasil.
Comprar remédio ou sustentar os filhos?
A situação poderia ser melhor caso o país não tivesse uma forte dependência do mercado internacional, pelo fato de não possuir pesquisas dos processos de produção de remédios em escala industrial. Em razão desta dependência, o déficit na balança comercial brasileira com a importação de remédios industrializados chega a R$ 3,5 bilhões.
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Diante dos altos preços dos medicamentos e baixa remuneração de boa parte dos trabalhadores brasileiros, fica relativamente difícil poder comprar medicamentos. Uma pessoa hipertensa, por exemplo, tem que tomar um remédio por dia, o que embute um gasto fixo mensal em seu orçamento. Mas para quem recebe um salário mínimo de R$ 240, por exemplo, a escolha certamente será a de alimentar a sua família no lugar da compra do remédio.
Problema em discussão
No que depender de incentivo, o conselheiro da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), Omilton Visconde Junior, informou que pelo fato de o setor farmacêutico brasileiro trabalhar com 35% de ociosidade, a intenção é de que o setor seja parceiro do governo federal no projeto da farmácia popular.
Possíveis melhorias para o acesso dos brasileiros à assistência farmacêutica vêm sendo estudadas na I Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência Farmacêutica entre profissionais de saúde, gestores e usuários em São Paulo. As propostas a que se chegarem serão encaminhadas ao Ministério da Saúde.
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Por sua vez, o ministro da Saúde, Humberto Costa, também se mostrou solidário e por meio de uma mensagem enviada aos participantes da conferência os encorajou a proporem mudanças na atual política de medicamentos.